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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Estreias de cinema de 22 de Janeiro de 2026



Esta semana dentre as várias estreias de cinema nas salas nacionais o "Cultura e não Só" destaca as seguintes:



Mercy: Prova de Culpa

Num futuro próximo dominado pelo crime, é criado algo que, em termos teóricos, garante a segurança absoluta: o Mercy, um sistema judicial gerido por inteligência artificial (IA) com acesso total a câmaras, telefones e bases de dados. Assim, qualquer cidadão indiciado por um crime grave dispõe agora de apenas 90 minutos para provar a sua inocência perante um juiz de IA. As regras ditam que se a probabilidade de culpa ultrapassar os 92%, a sentença é atribuída imediata e irreversivelmente.

É neste contexto que o detective Christopher Raven (Chris Pratt), um dos envolvidos na concepção do sistema, se vê inesperadamente do outro lado da justiça ao ser acusado do assassínio da sua mulher. Para salvar a vida e provar a sua inocência, tem de lutar contra o tempo e contra uma lógica puramente estatística, criada para condenar e punir sem espaço para a subjectividade.

Com assinatura de Timur Bekmambetov ("Guardiões da Noite", "Guardiões do Dia", "Diário Secreto de Um Caçador de Vampiros", "Ben-Hur"), este "thriller" de acção e ficção científica conta ainda com a participação de Rebecca Ferguson, Annabelle Wallis, Kali Reis, Rafi Gavron, Chris Sullivan, Kenneth Choi, Noah Fearnley e Kylie Rogers. 



Orwell: 2+2=5

O ponto de partida: George Orwell, o escritor nascido Eric Arthur Blair, não previu um futuro distópico com 1984 — o livro que em 1946 foi escrever para a ilha de Jura, na Escócia, e que seria o seu último. A censura, a experiência do totalitarismo e o espectro de um Big Brother, a reescrita do passado e a anestesia da memória, isso somos nós hoje. Esse é o ponto de chegada.

Denso, claustrofóbico, o documentário encosta o espectador à parede com tanta angústia, tantas são as ressonâncias no presente. Só o cinema pode hoje ser suficientemente livre para se atrever a pensar assim. Já não o são, livres, as televisões e os jornais e as redes sociais — essas são desde o início rasura. É tão solitário o que pode um filme que assusta.



Ângelo na Floresta Mágica

Angelo tem dez anos e é um apaixonado por zoologia, o ramo da biologia dedicado ao estudo dos animais. A oportunidade de usar os seus conhecimentos e viver a maior aventura da sua vida surge na sequência de um imprevisto que poderia ter-lhe custado a vida: durante uma viagem para casa da avó, os pais esquecem-no numa estação de serviço. Determinado a chegar lá são e salvo, o pequeno decide fazer corta-mato e atravessar sozinho a floresta. Ali, vai encontrar alguns perigos mas também fará grandes amigos.

Apresentada nos prestigiados festivais de Cannes e de Annecy, esta aventura de animação tem assinatura de Vincent Paronnaud e Alexis Ducord, que transferem para o grande ecrã a banda desenhada homónima que ambos escreveram em 2024.