quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

A epopeia de uma língua antiga que se tornouglobal e a investigação científica das suas origens



Proto é um retrato revelador da história mundial através das palavras. Laura Spinney, jornalista especializada em ciência, leva o leitor numa viagem no tempo e no espaço até às origens da chamada língua antiga protoindo-europeia. E porque é que isto é importante? Porque as línguas que quase metade da população mundial fala hoje descendem dela. Com a ajuda da ciência e de uma escrita fluida e recheada de informação, a autora segue a evolução da linguagem ao longo do tempo e por diferentes geografias. Um olhar para um passado muito longínquo que é, não só científica e historicamente interessante, como também fundamental para percebermos o presente. Proto chega às livrarias a 5 de março.

Quando o planeta emergiu da última era glacial, uma língua nasceu entre a Europa e a Ásia, junto ao mar Negro. Essa língua antiga, a que chamamos protoindo-europeu, não tardou a sair do seu berço, mudando e fragmentando-se à medida que progredia no espaço, até os seus descendentes serem falados da Escócia à China. Hoje, esses descendentes constituem a maior família linguística do mundo, o fio que liga culturas díspares: do Inferno de Dante ao Rig Veda, d’O Senhor dos Anéis à poesia amorosa de Rumi.

«O sânscrito, o grego, o latim, o nórdico primitivo e o inglês descendem todos de uma língua muito mais antiga – o protoindo-europeu, de “proto”, que significa primeiro, e “indo-europeu”, a família a que pertencem essas línguas», explica Laura Spinney na introdução do livro. «O Big Bang das línguas indo-europeias é de longe o acontecimento mais importante dos últimos cinco milénios, no Velho Mundo. Foram necessários mais de 3500 anos e a invenção do navio oceânico, mas depois de 1492 algumas dessas línguas implantaram-se no Novo Mundo e, daí, expandiram-se de novo.»

Com Laura Spinney, viajamos ao longo da estepe, pelo Cáucaso, pelas Rotas da Seda e pelo Indocuche. Seguimos os passos de nómadas e monges e guerreiras amazonas — os povos antigos que espalharam tais línguas por toda a parte. No presente, Spinney encontra cientistas envolvidos na missão emocionante de recuperar essas línguas perdidas: os linguistas, arqueólogos e geneticistas que reconstruíram essa diáspora antiga. O que eles descobriram tem implicações vitais para o mundo moderno, já que as pessoas e as suas línguas estão novamente em movimento.

«Agora, oito mil milhões de seres humanos falam cerca de sete mil línguas, que se inserem, aproximadamente, em 40 famílias, mas a maior parte de nós fala línguas que pertencem apenas a cinco delas: indo-europeia, sino tibetana, Niger-Congo, afro-asiática e austronésia. Entre essas cinco, destacam-se dois gigantes: as línguas indo europeias, cujo representante mais importante é o inglês, e as sino-tibetanas, que incluem o mandarim», escreve a autora. «Na Terra, quase uma em cada duas pessoas fala uma língua indo-europeia.» 

Sobre a Autora

Laura Spinney é uma escritora e jornalista especializada em ciência.  O seu livro Pale Rider: The Spanish Flu of 1918 and How It Changed the World foi um bestseller, traduzido para mais de uma dúzia de línguas.  Os seus artigos científicos foram publicados em The Atlantic, National Geographic, Nature, The Economist, The Guardian e outros média.