sexta-feira, 26 de junho de 2026

O enigma dos marfins do Bom Pastor no Museu do Oriente



Têm origem na Índia portuguesa dos séculos XVI e XVII, representam o Bom Pastor da tradição cristã e estão entre os objectos mais enigmáticos da arte indo-portuguesa. Como a iconografia europeia chegou às mãos dos artesãos indianos e o que se transformou pelo caminho são questões que ainda hoje dividem investigadores. O Museu do Oriente, que guarda três destes marfins no seu acervo, recebe a 26 de Junho a conferência The Good Shepherd Rockery from Portuguese India, dedicada precisamente a esse mistério.

O ponto de partida é o livro do historiador de arte Francesco Gusella, que o autor apresenta como a primeira obra inteiramente dedicada à iconografia do Bom Pastor na Índia portuguesa. A partir dele, reconstrói o percurso destes modelos, desde a tradição ítalo-flamenga até aos centros missionários de Goa, Diu, Sri Lanka e Malabar, e mostra como uma mesma imagem foi sendo reinterpretada à medida que viajava entre continentes, culturas e crenças.

A investigação que sustenta o trabalho contou com o apoio da Fundação Oriente, que permitiu, entre outros resultados, identificar modelos iconográficos no património indo-siríaco do Sul da Índia, uma das pistas que ajudam a esclarecer a origem ainda incerta destas figuras.

À apresentação do livro segue-se um debate com especialistas convidados, entre os quais a investigadora Carla Alferes Pinto, do CHAM – NOVA FCSH, e um período de perguntas do público. Italiano de formação, com doutoramento pela Universidade de Roma La Sapienza, Francesco Gusella é hoje um dos especialistas na arte do Sul da Ásia no contexto colonial português.

A conferência decorre na Sala Beijing, às 18h, em língua inglesa e sem tradução. A entrada é gratuita, mediante inscrição prévia.