Campo de Batalha é um filme antibélico e humanista que subverte os clichés do género ao afastar-se das trincheiras para explorar um conflito centrado na ética e na medicina. O dilema central reside na subversão do Juramento de Hipócrates, assente no choque moral entre dois médicos militares e amigos de infância, com a rivalidade intensificada pela presença de uma enfermeira, num drama psicológico focado nos bastidores do conflito. A estes elementos junta-se a relevância histórica da Gripe Espanhola de 1918, que matou mais de cinquenta milhões de pessoas em todo o mundo, e a denúncia de uma censura militar que tentou esconder a pandemia da população civil.
O filme de Gianni Amelio denuncia a cumplicidade entre o poder e o silêncio que, num mundo ainda marcado pela memória recente da pandemia Covid, ressoa com uma atualidade perturbadora, levando-nos a refletir se de facto os sistemas políticos protegem os cidadãos ou se esquecem a sua humanidade, usando-os apenas como armas de guerra.
Recebido com entusiasmo pela crítica em Veneza, afirmou-se pelo rigor técnico e pela sobriedade moral que definem o melhor cinema de Gianni Amelio - um realizador consagrado, com mais de cinquenta anos de carreira, uma referência respeitada e celebrada do cinema europeu contemporâneo.
Já nos cinemas Cinema City Alvalade e Mira Maia Shopping.
Sinopse
No final da Primeira Guerra Mundial, chegam diariamente a um hospital militar soldados gravemente feridos, muitos dos quais se autolesionaram para evitar o regresso à frente de combate. O médico Stefano Zorzi, inflexível e obcecado pelos impostores, examina as lesões como um inspetor; o médico e amigo de infância, Giulio Farradi, mais sensível e inclinado para a investigação científica, olha para a guerra de forma diferente. Entre ambos está a enfermeira Anna. Enquanto um sabotador parece mover-se pelos corredores e a gripe espanhola se propaga, Campo de Batalha, apresentado no Festival de Veneza e livremente inspirado no romance "La Sfida", de Carlo Patriarca, reflete sobre a automutilação dos soldados como espelho da loucura de todas as guerras e a linha que separa o dever da ética.

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