Quarto Escuro de Goethe, performance-instalação de Eunice Gonçalves Duarte, chega a Lisboa em março de 2026, integrada na programação do Festival MONSTRA, com apresentações no Goethe-Institut Lisboa. O projeto cruza arte, ciência e pensamento, partindo do livro "Teoria das Cores" de Johann Wolfgang von Goethe para propor uma experiência imersiva sobre perceção, luz e cor, e dá continuidade a um ciclo de podcasts com investigadores convidados, especialistas nas áreas da física, neuropsicologia e filosofia da cor.
Depois da estreia em Coimbra, a obra apresenta-se agora em Lisboa. Criado por Eunice Gonçalves Duarte, performer e investigadora doutoranda em Estudos Artísticos na Universidade de Coimbra, Quarto Escuro de Goethe propõe uma experiência sensorial de acesso muito limitado, convidando o público a entrar num espaço onde a cor é vivida para além da observação imediata, entre o visível e o invisível, a luz e a sombra, a razão e a intuição.
No Goethe-Institut Lisboa, as performances decorrem nos dias 12 das 16 às 19 (abertura do festival) e 13 de março, entre as 17h às 20h, em sessões de 20 minutos, com entrada livre e lotação limitada a três pessoas por sessão. Nesses dois dias, a instalação poderá também ser visitada livremente entre as 10h00 e as 15h00, permitindo ao público conhecer a estrutura e o dispositivo sensorial que sustenta a performance.
A programação estende-se ainda a uma conversa-workshop intitulada “Luz Indisciplinada: entre arte e ciência”, orientada por Eunice Gonçalves Duarte, a realizar no Atelier Concorde, no 15 de março, das 15h às 17h. Já no dia 20 de março, às 18h30, a Biblioteca do Goethe-Institut Lisboa acolhe a gravação ao vivo do podcast “Cores Físicas”, com o físico Vítor Cardoso. O ciclo encerra a 9 de abril, às 19h00, com a gravação do podcast “Efeito Sensível-Moral da Cor”, com a filósofa Maria Filomena Molder, no mesmo espaço.
“Interessa-me a tensão entre luz e escuridão — não como opostos, mas como zonas de transição, de revelação e de manifestação da cor. Goethe propõe que, num quarto escuro, a luz possa ser percebida de dentro, como impulso interno. É essa experiência interior da perceção que procuro transpor para o espaço performativo”, explica Eunice Gonçalves Duarte.
Em Quarto Escuro de Goethe, o espaço é concebido como um organismo sensorial onde luz, som e corpo cruzam-se num diálogo contínuo. A artista traduz a morfologia goethiana em experiência estética, fazendo nascer a cor no limite entre o visível e o invisível. Inspirada na reflexão de Goethe “A palavra pode não ser suficiente para descrever o espírito da cor”, Eunice propõe ao público não apenas ver, mas participar na experiência de ver.
A composição sonora original de Nick Rothwell funciona como uma extensão da luz e da matéria, criando uma viagem auditiva onde o som também revela ou oculta a cor. Neste “quarto escuro” materializa-se a ideia goethiana de que “a cor e o som são como dois rios que nascem na mesma montanha”, coexistindo na experiência sensorial, mesmo que seguindo caminhos distintos.
“Quando a forma se esbate, somos forçados a reorganizar os sentidos e a descobrir novas formas de ver. É nesse instante que a imagem se torna viva”, afirma a criadora.
Arte, ciência e pensamento: um diálogo que se estende em podcast
O projeto prolonga-se para além da performance através de um ciclo de podcasts onde se aprofunda o diálogo entre arte e ciência. Depois da sessão inaugural com Benilde Costa, dedicada às Cores Químicas, e da conversa com Marta Teixeira, sobre neuropsicologia da visão, e dos comentários de de Carlos Fiolhais à obra de Goethe, o ciclo prossegue em Lisboa com episódios dedicados às dimensões física e filosófica da cor, acompanhando a apresentação do projeto no Festival MONSTRA.
Envolver e sensibilizar novos públicos
Assente nos três eixos fundamentais — arte, ciência e pensamento —, O Quarto Escuro de Goethe desenvolve uma estratégia de mediação e sensibilização em parceria com várias instituições nacionais, incluindo o Goethe-Institut, o Festival MONSTRA, o Atelier Concorde, o Teatro Académico de Gil Vicente, o Rómulo – Centro de Ciência da Universidade de Coimbra e estruturas culturais de Penafiel e Gouveia.