segunda-feira, 31 de agosto de 2026

MOTELX 20 Anos - Lobo Mau: o lado mais fofo do terror



A secção Lobo Mau, lugar das crianças e famílias dentro do MOTELX, junta-se à celebração dos 20 anos do Festival. Duas longas-metragens em antestreia; os clássicos Sustos Curtos, Atelier Sensorial ALMA e Peddy Paper no Cinema São Jorge; mas ainda um cine-concerto, uma exposição de fotografia e um workshop para acabar com o medo do escuro. 

20 anos de MOTELX, 19 anos de Lobo Mau, o que significa que este é um lugar que pertence à génese do Festival e que é, por isso mesmo, um dos seus traços mais vincados de personalidade. O anfitrião dos petizes e das suas famílias preparou uma programação muito especial para esta 20.ª edição. Desde logo duas longas-metragens em antestreia nacional: o tão aguardado novo filme da Ovelha Choné, “Shaun the Sheep: The Beast of Mossy Bottom” (Reino Unido/França/EUA), de Steve Cox e Matthew Walker, desta vez explorando aventuras na noite de Halloween (12 de Set, 14h45, Cinema São Jorge; M/6); e “Dudley and the Invasion of the Space Slugs” (Luxemburgo/Bélgica/França/Índia/Reino Unido), de Cherifa Bakhti, filme de animação para todas as idades e dobrado em português que é, no fundo, um coming-of-age onde o sapo Dudley se define enquanto indivíduo, rasgando com a imagem que os seus pais criaram para si e buscando aprovação dos seus pares — título perfeito para ver em família (13 de Set, 14h00, Cinema São Jorge).

Os Sustos Curtos (5 e 6 de Setembro, Cinema São Jorge) — as habituais sessões de curtas-metragens para as várias idades (M/6 e M/10) — estão de regresso com a missão de sempre: permitir que os mais novos descubram o lado mais fofo do cinema de terror. No capítulo dos clássicos Lobo Mau, está também de regresso o nosso tão acarinhado Peddy Paper (12 de Set, 10h30, Cinema São Jorge) que já por aqui anda desde 2017 e que volta a desafiar os mais intrépidos investigadores a vasculhar os cantos e recantos do Cinema São Jorge na procura de pistas e segredos. E ainda o Atelier Sensorial ALMA, um espaço didáctico onde a criatividade é a chave que abre portas à fantasia. Através de actividades que privilegiam a exploração da cor, da forma e da textura, aqui os mais pequenos terão a oportunidade de dar vida a todos os seus sonhos e, este ano, de criar o seu próprio Monstrinho da Bondade (oficina que decorre dia 6 de Set, 11h, no Lounge MOTELX; para crianças dos 12 meses aos 10 anos) que os vai ajudar a espalhar a generosidade e a compaixão. A ALMA irá ainda proporcionar a Oficina Criativa de Máscaras Assustadoras com desfile para os mais pequenos (5 de Set, 14h, Lounge MOTELX, 4-15 anos) participarem igualmente no desfile do Monster Day.  



Mas as novidades são muitas, como a ocasião pede. Desde logo, a exposição “O meu Bairro”, com a Associação Passa Sabi, que partiu de um workshop de fotografia animado desenvolvido por Bernardo Gramaxo (realizador e artista plástico) com 8 jovens do Bairro do Rego. De máquina fotográfica na mão, o objectivo foi partilhar com os participantes as bases do olhar crítico e do poder da imagem como contadora de histórias. O resultado é uma coleção de fotografias polaroid que estará em exposição durante os 11 dias do Festival no Cinema São Jorge. 



E porque o cinema também é música, o Lobo Mau conta em 2026 com o Cine-Concerto com a Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal (13 de Set, 16h00, Cinema São Jorge; M/6), onde um grupo de alunos da instituição vão explorar diferentes formas de storytelling musical em diálogo com a imagem, mais do que acompanhar a narrativa, pretende-se criar novas texturas, leituras e atmosferas numa experiência única de cinema ao vivo para todas as idades. O projecto, sob direcção de André Carvalho (que assume os teclados e o contrabaixo; e com os alunos Carolina Estrela na voz, Eduardo Aguilar no saxofone, Luís Beirão no saxofone e na voz), vai incidir sobre oito curtas-metragens que marcaram a secção ao longo dos anos.

Espaço ainda para o workshop “Quem tem medo do escuro?” (12 de Set, 14h-16h, Cinema São Jorge; 4-14 anos), criado em parceria com o Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C), a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), o Núcleo de Espeleologia da Costa Azul (NECA) e o Grupo de Espeleologia e Montanhismo (GEM) e que tem como ponto de partida o filme “Bats & Bugs”, de Lena von Döhren, que revela a maravilhosa biodiversidade das grutas, desmistificando os “monstros” que as habitam. Em seguida, em escuridão total, arranca uma experiência de imersão sonora: através de paisagens acústicas subterrâneas (ecos, gotas e ecolocalização de morcegos), os participantes exploram o mundo através do sentido da audição. Finalmente, dá-se a expedição prática: equipados com material real de espeleologia e fichas de identificação, os jovens exploradores investigam a sala às escuras para encontrar criaturas escondidas. 

Marisa Liz e os Vizinhos dão a voz à rentrée de espetáculos no Casino Chaves



A Solverde Casinos & Hotéis, a principal marca a atuar nas áreas da hospitalidade, entretenimento e jogo em Portugal, anuncia a rentrée do Casino Chaves com dois concertos protagonizados por algumas das vozes mais marcantes da música portuguesa da atualidade: Marisa Liz, a 11 de setembro, e Os Vizinhos, a 2 de outubro.

No dia 11 de setembro, o Casino Chaves recebe a voz inconfundível de Marisa Liz, a artista que ganhou maior notoriedade   com os Amor Electro e afirmou-se numa respeitada carreira a solo. O álbum “Girassóis e Tempestades”, lançado em 2023, estreou nos lugares cimeiros das tabelas de vendas, enquanto o segundo álbum, “Relatos de Um Coração Confuso”, apresentou o seu lado mais pessoal ao público.

Os dois álbuns a solo, sem esquecer os sucessos incontornáveis como “Guerra Nuclear”, “Foi Assim Que Aconteceu” ou “É O Que É”, servem de base para um espetáculo no Casino Chaves que promete ser memorável.



No primeiro sábado de outubro, dia 2 , sobem ao palco Os Vizinhos, uma das mais surpreendentes histórias de sucesso da música portuguesa recente. Formada por David Mendonça, Francisco Cartaxo, Tomás Cartaxo e Miguel Brites, a banda nasceu em Évora e o single de estreia, “Pôr do Sol”, tornou-se um fenómeno nacional, alcançando o primeiro lugar das tabelas de streaming. 

Com sucessos como “Pobre Ex-Namorado” e “Casar É Para Esquecer”, Os Vizinhos são hoje um dos nomes mais populares da nova música portuguesa. Reconhecidos pela ligação ao Cante Alentejano, a banda de amigos transforma cada concerto numa celebração coletiva, onde acordeão, guitarras, bandolim e harmonias vocais se juntam para criar uma experiência de grande proximidade com o público.

De forma prática, cómoda e flexível, os espetáculos podem agora ser reservados à distância de um clique. No renovado site é possível aceder à secção Eventos e comprar lugar na experiência pretendida.  

Jantar Espétaculo: 75€ por pessoa (65€ para membros do Privilege Club)
Admissão jantar: 20:00 às 21:00
Concerto: 22:30

E se conseguisse esticar o seu salário?



É possível gerir o orçamento mensal sem gastar tudo e ainda pôr as poupanças a render? Como criar um fundo de emergência ou preparar uma reforma mais confortável, mesmo com um salário baixo? Estas são algumas questões que fazem parte do quotidiano de milhares de portugueses e a que Pedro Andersson procura responder no seu mais recente livro Dinheiro à Prova de Crises.

Neste livro, encontra estratégias práticas para organizar as suas finanças, gerir melhor as suas despesas, investir de forma segura, usar os juros compostos a seu favor e criar fontes de rendimento extra. O mais conceituado educador financeiro português explica ainda o porquê de algumas pessoas conseguirem construir património com salários normais enquanto outras vivem permanentemente aflitas com dinheiro.

Dinheiro à Prova de Crises inclui dúvidas reais de leitores e respostas a perguntas sobre temas como IRS, fundos de investimento, ETF, PPR, crédito à habitação, impostos e apoios sociais. Ao longo de mais de quinze anos a aconselhar milhares de famílias, Pedro Andersson demonstra que a resposta nem sempre está em quanto se ganha, mas sobretudo na forma como se utiliza o dinheiro. Este é um guia prático que reúne as melhores dicas do podcast Contas-poupança e que mostra como pequenas decisões o podem ajudar a organizar, gerir, e multiplicar o seu salário.

Dinheiro à Prova de Crises chega às livrarias a 3 de setembro.

Sobre o Autor

Pedro Andersson nasceu em 1973 e apaixonou-se pelo jornalismo ainda adolescente, na Rádio Clube da Covilhã. Licenciou-se em Comunicação Social, na Universidade da Beira Interior, e começou a carreira profissional na TSF. Em 2000, foi convidado para ser um dos jornalistas fundadores da SIC Notícias. Atualmente, continua na SIC, como jornalista coordenador, e é responsável desde 2011 pela rubrica Contas-poupança, dedicada às finanças pessoais e líder de audiências no seu horário. 

No seu todo, os vários livros publicados na Contraponto (cinco na série Contas-poupança e ainda Ganhar dinheiro – Como criar riqueza com um salário normal e Começa já – Ganhar dinheiro é mais simples do que pensas) já venderam mais de 100 mil exemplares. 

Em 2024, venceu os prémios de Influenciador Digital do ano do Prémio Cinco Estrelas, na categoria Negócios, e foi Escolha do Consumidor em 2024 e 2025 na categoria Educação Financeira. Em 2025, foi distinguido pela Euronext Lisbon (Bolsa de Valores portuguesa) pela divulgação da literacia financeira sobre o mercado de capitais. É autor de um dos podcasts mais ouvidos em Portugal (Contas-poupança) e seguido por mais de 700 mil pessoas no Facebook, Instagram, LinkedIn, YouTube e TikTok. 

Pérola brilhou com Anselmo Ralph no Salão Preto e Prata do Casino Estoril



Foi na passada quinta-feira, que a cantora e compositora angolana Pérola subiu ao palco do Salão Preto e Prata para interpretar numerosos êxitos que marcaram diferentes épocas da sua carreira. Pérola brilhou num concerto único que teve, ainda, como convidado especial Anselmo Ralph. 

Considerada uma das referências do panorama da música angolana, Pérola interpretou grandes sucessos como, por exemplo, “Tudo Para Mim”, “Fala do Que Quiseres”, “Voltei a Respirar”, “Para Ser Feliz” ou “Não Custa Nada”. 



Com uma notória cumplicidade com o público, Pérola apresentou, também, outros êxitos discográficos mais recentes como as composições “Sincera”, “Goddess” e “Última Chamada”.

Um dos principais momentos da noite sucedeu quando Pérola convidou Anselmo Ralph a subir ao palco para interpretarem “Tens Sorte”, “Moço” e “Evita”. Com um cariz intimista, os artistas angolanos protagonizaram três duetos que conquistaram o público. 



Mas, a participação de Anselmo Ralph como convidado especial terminou com a interpretação do tema “Única Mulher”, um dos grandes sucessos do álbum “A Dor do Cupido”, lançado em 2013.

Aplaudida pelo público, Pérola prosseguiu com o concerto, evidenciando uma performance emotiva e demonstrando a sua firmeza vocal e presença singular, que a afirmam como um verdadeiro ícone da música angolana.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Ruy de Carvalho está de volta ao Taguspark



Depois de sucessivas sessões esgotadas e do enorme carinho do público, Ruy de Carvalho regressa ao Auditório do Taguspark, em Oeiras, com novas apresentações de “Ruy, A História Devida”, um espetáculo intimista que celebra a vida, a carreira e o legado de um dos maiores nomes do teatro português.

Mais do que uma peça de teatro, “Ruy, A História Devida” é uma conversa aberta com o público. Ao longo de cerca de 75 minutos, Ruy de Carvalho partilha episódios inéditos da sua extraordinária carreira, histórias de vida, momentos de humor, emoção e bastidores que marcaram décadas dedicadas aos palcos. No final, há ainda espaço para uma interação única com os espectadores, tornando cada sessão diferente e especial.

Com texto de Paulo Coelho, encenação de Paulo Sousa Costa e interpretação de Ruy de Carvalho e Luís Pacheco, a produção da Yellow Star Company continua a conquistar públicos de todas as idades.

Espetáculo: Ruy, A História Devida
Local: Auditório do Taguspark, Oeiras
Data: 6 de setembro
Hora: 16h00

Rui Xará em noite de stand-up comedy com entrada gratuita no Casino Estoril



O Casino Estoril oferece, amanhã, 29 de agosto, um extenso programa de animação no Lounge D. Logo pelas 22h00, a cantora Vanessa Ferreira, acompanhada pela banda residente do Casino Estoril, sobe ao palco para protagonizar o 1º set inspirado em “clássicos dos anos 60 e 70”. Posteriormente, pelas 23h00, será a vez de Rui Xará apresentar o seu espectáculo de stand-up comedy repleto de momentos de humor. Pela meia-noite, Vanessa Ferreira regressa ao palco para um 2º set, seguindo-se a contagiante “DJ Session” com as sonoridades envolventes de DJ Fonz.

Rui Xará protagoniza espectáculo de stand-up comedy
Com uma carreira iniciada em 1998, Rui Xará é um dos pioneiros de stand-up comedy em Portugal e um dos seus mais prolíferos comediantes, tendo realizado mais de duas mil e quinhentas actuações por todo o país. 

Rui Xará esteve presente em quase todos os cartazes de renome na comédia em Portugal, tendo-se distinguido, ainda, com variadas participações tanto em programas de televisão como de rádio.

Hortus Musicalis regressa em setembro ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra



Hortus Musicalis regressa ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra nos dias 4, 5 e 6 de setembro para a segunda parte da edição de 2026. Fish Dish, Lantana e Made of Bones encerram um programa dedicado à música improvisada e à criação contemporânea, sob o tema “Plantar Liberdade”. Os três concertos têm início às 18h00 e entrada livre.

Depois do primeiro fim de semana de programação, realizado em julho, o Hortus Musicalis regressa ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra nos dias 4, 5 e 6 de setembro, sempre às 18h00, para a segunda parte da edição de 2026. Promovido pelo Jardim Botânico da Universidade de Coimbra em parceria com o Jazz ao Centro Clube (JACC), com curadoria de Marcelo dos Reis, o ciclo mantém o mote “Plantar Liberdade” e volta a aproximar música, natureza e criação contemporânea. Todos os concertos têm entrada livre.



A programação de setembro começa a 4 de setembro, com Fish Dish, seguindo-se, no dia 5, Lantana. O ciclo encerra a 6 de setembro com Made of Bones. Três propostas que dão continuidade a um programa dedicado à experimentação, à improvisação e à exploração de novas linguagens sonoras, reunindo diferentes percursos e abordagens à criação musical contemporânea.

Ao longo de dois fins de semana, o Hortus Musicalis propõe o Jardim Botânico como espaço de escuta e encontro, onde a música dialoga com a paisagem e com as características singulares deste património natural. Sob o tema “Plantar Liberdade”, o ciclo parte da improvisação e da música livre enquanto práticas de criação, partilha e transformação, abrindo espaço para a descoberta de diferentes formas de construir e experimentar a música.

Com esta segunda parte, o Hortus Musicalis conclui a sua edição de 2026, reafirmando a vontade de apresentar no Jardim Botânico projetos que exploram os limites da criação musical e que encontram na liberdade artística um território de experimentação e diálogo.

Comédia romântica musical “Rosaline, a Ex do Romeu” no Casino Lisboa



O Auditório dos Oceanos do Casino Lisboa recebe, a partir do dia 9 de setembro, pelas 21 horas, a comédia romântica musical “Rosaline, a Ex do Romeu”. Com texto e encenação de Renato Arroyo, este divertido ciclo de representações renova-se de quarta-feira a domingo e promete surpreender o público, revelando que “havia amor antes de Julieta”.

Rosaline, a ex do Romeu é uma comédia romântica musical onde a tragédia Romeu e Julieta, de William Shakespeare, leva um twist irresistível, sendo recontada através dos olhos de Rosaline, uma personagem brevemente mencionada no clássico original.



Na realidade, Rosaline foi a primeira paixão de Romeu e, para complicar, prima de Julieta! Afinal, o amor mais viral de sempre… não é bem como nos contaram.

Esta é a estória por trás da história: o que começa como uma tentativa desastrada de separar o casal mais icónico da literatura, transforma-se numa jornada inesperada de auto-descoberta e amor-próprio que vem provar que existem sempre dois lados de cada história, e que nem sempre o que parece perfeito é, de facto, verdadeiro.

Trágico, seria perder…

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

"Uma Casa, Com Certeza" no Teatro da Trindade INATEL



Uma Casa, Com Certeza, texto de Constança Bourgard, vencedor da 8.ª edição do Prémio Miguel Rovisco – Novos Textos Teatrais, estreia-se a 10 de setembro, no Teatro da Trindade INATEL, com encenação de Miguel Fragata. O espetáculo transforma a Sala Estúdio num apetecível T3 com vista para o Tejo, que um casal, interpretado por Ana Valentim e André Leitão, acaba de comprar.

Num tempo marcado pela crise da habitação, Uma Casa, Com Certeza propõe uma reflexão sobre o custo de “viver juntos”, explorando, com humor e acuidade dramatúrgica, os desafios contemporâneos das relações amorosas e das expectativas que continuam a moldar a vida a dois.

Constituído por Diogo Infante, diretor artístico do Teatro da Trindade INATEL, Margarida Tavares, dramaturga e professora adjunta da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, e Miguel Fragata, ator, encenador e dramaturgo, o júri da 8.ª edição reconheceu no texto de Constança Bourgard uma forte pertinência dramatúrgica, pela temática, pela estrutura e pelo conflito. O júri destacou ainda a forma como o texto retrata “uma realidade contemporânea, na qual um jovem casal reflete sobre os papéis sociais que a sociedade lhes atribui, os desafios em consolidar uma relação e as expectativas de sucesso que cada um cria para si mesmo”. Dramaturga e atriz, a autora estudou interpretação em Paris, Londres e Barcelona e dedica-se à escrita para teatro.

Miguel Fragata sublinha que a encenação do texto converte o espaço cénico numa casa em construção, “mas numa dimensão mais simbólica do que concreta, que expõe várias fragilidades: da relação amorosa, da ideia convencionada de ‘casa’ e da realidade económica, social e política do presente. O espectador é convidado a ser voyeur da intimidade deste jovem casal”.

Atribuído anualmente como incentivo à escrita de textos originais em língua portuguesa na área do Teatro, o Prémio Miguel Rovisco – Novos Textos Teatrais contempla também a edição em livro do texto vencedor. O livro Uma Casa, Com Certeza será lançado no dia 10 de setembro, após a estreia do espetáculo.

Uma Casa, Com Certeza é uma produção do Teatro da Trindade INATEL e estará em cena na Sala Estúdio, de 10 de setembro a 25 de outubro, de quarta-feira a domingo, às 19h. No dia 11 de outubro, após o espetáculo, realiza-se uma conversa com o público.

Asas, de Ana Rocha de Sousa, com estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Odessa



A segunda longa-metragem Asas, de Ana Rocha de Sousa, terá a sua estreia mundial no dia 1 de setembro, no âmbito da 17.ª edição do Odesa International Film Festival, que decorre de 27 de agosto a 4 de setembro de 2026.

A realizadora Ana Rocha de Sousa estará presente em Odessa no dia 1 de setembro para acompanhar a estreia mundial do filme e apresentar a obra ao público ucraniano, num momento de particular significado, tendo em conta que Asas é uma coprodução entre Portugal e Ucrânia e que a sua estreia acontece em pleno contexto de guerra.

Esta edição do festival realiza-se num contexto particularmente difícil para a Ucrânia, com a cultura e o cinema a continuarem a afirmar-se como espaços de resistência, memória e diálogo. A presença de Asas no festival assume, por isso, uma dimensão que ultrapassa o seu percurso cinematográfico: um filme construído entre Portugal e Ucrânia regressa ao país que está no centro da sua história, para ser apresentado ao público durante o conflito.

Asas é uma coprodução entre Portugal e Ucrânia e Chipre, produzida pela Maria & Mayer, de Maria João Mayer, em coprodução com a ucraniana Onde Film, de Igor Savychenko. O filme contou com o apoio do ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual, da Ukrainian State Film Agency e da RTP e é distribuído internacionalmente pela Portugal Film – Agência Internacional de Cinema Português.



O reconhecimento de Listen, a primeira longa metragem de Ana Rocha de Sousa marcou a sua entrada no panorama internacional e estabeleceu a realizadora como uma das vozes portuguesas a acompanhar no cinema contemporâneo. Asas, a sua segunda longa-metragem, dá agora continuidade a esse percurso através de uma história profundamente ligada à Ucrânia e de uma colaboração cinematográfica entre os dois países.

Inspirado na história verdadeira de uma família ucraniana, Asas acompanha mulheres obrigadas a abandonar o seu país e a procurar refúgio em Portugal. O contexto da guerra é, contudo, apenas uma das dimensões do filme. A realizadora procura também explorar as guerras interiores de cada uma das mulheres — a perda, o medo, a culpa, a separação e a tentativa de reconstruir uma vida depois da violência.

Para Ana Rocha de Sousa, o ponto de partida do filme foi a ação de uma ativista que, em 2022, surgiu num importante festival de cinema com uma exigência simples pintada no corpo nu: “Stop Raping Us” (“Parem de nos violar”). A intervenção confrontou o mundo com os relatos de violência sexual que chegavam da Ucrânia e levou a realizadora a questionar a forma como a guerra é representada pelo cinema e, sobretudo, a ausência tantas vezes sentida do ponto de vista das mulheres.

Os inúmeros relatos de violência e o risco de um silêncio que se transforma em cumplicidade tornaram-se fundamentais para a construção do filme.

“O contexto destas mulheres e desta família é a guerra, mas o filme fala também das guerras internas de cada uma delas.”

Em Asas, a ficção mantém-se deliberadamente próxima da realidade. O filme inspira-se numa família verdadeira e, em determinados momentos, recorre a imagens reais, recusando reconstruir a devastação através de um olhar meramente estético. A intenção é encontrar uma linguagem capaz de conter a brutalidade sem a reproduzir ou transformar em espetáculo, abrindo simultaneamente espaço para pequenas formas de esperança.

“Se a arte não o fizer, o que fará?”, questiona Ana Rocha de Sousa.

A estreia mundial em Odessa, com a presença da realizadora, representa assim um momento particularmente simbólico: uma obra nascida de uma colaboração cinematográfica entre Portugal e Ucrânia é apresentada no próprio país cuja realidade inspirou a sua história, enquanto o conflito continua.

Mais do que uma estreia, Asas pretende ser um encontro entre cinema e realidade, entre dois países e entre as mulheres que vivem a guerra e aquelas que, através do cinema, procuram dar-lhes voz.