Ainda mais do que fenómenos como a IA, é a falta de hábitos de leitura a maior ameaça ao espírito crítico e à formação cultural da sociedade atual. Ciente deste desafio, Irene Vallejo, autora de O Infinito Num Junco, escreveu Manifesto pela Leitura, uma declaração de amor ao livro e à leitura que explica a importância do ato de ler para a humanidade. «Somos a única espécie que explica o mundo com histórias, que as deseja, tem saudades delas e as utiliza para o processo de cura.»
Este é um pequeno opúsculo que a escritora espanhola tornou grande por nele conter tudo o que é essencial. Nas suas páginas, recorda-nos que ler pode ser um ato de resistência que nos permite recuperar a nossa interioridade nesta época tão acelerada, mas também um exercício de empatia, menos solitário do que pode parecer. «Habitamos na pele de outros, acariciamos os seus corpos e afundamo-nos no seu olhar. E, num mundo narcisista e ególatra, o melhor que pode acontecer a qualquer pessoa é ser todas.»
Recorda-nos que há livros de tudo e que tudo cabe nos livros. «Somos seres entrelaçados com narrativas, bordados com fios de vozes, de história, de filosofia e de ciência, de leis e de lendas.» E que, se há futuro que valha a pena viver, é com a leitura que deve ser pensado e alcançado. Porque «a leitura continuará a cuidar de nós se cuidarmos dela. O que nos salva não pode desaparecer. Os livros recordam-nos, serenos e sempre prontos a desdobrar-se diante dos nossos olhos, que a saúde das palavras está enraizada nas editoras, nas livrarias, nos círculos de leitura partilhada, nas bibliotecas, nas escolas. É aí que imaginamos o futuro que nos une.»
Um texto sublime, de uma autora traduzida em mais de 30 línguas, Manifesto pela Leitura chega a Portugal, hoje, dia 14 de maio, numa edição especial em capa dura com sobrecapa, com a chancela da Bertrand Editora e tradução de Rita Custódio e Àlex Tarradellas.
Sobre a Autora
Irene Vallejo (Saragoça, 1979) estudou Filologia Clássica e concluiu o Doutoramento Europeu pelas universidades de Saragoça e de Florença. O seu ensaio O Infinito Num Junco (2019) converteu-se num êxito internacional entre crítica e leitores. Para além de galardões internacionais como o Prix Livre de Poche em França, o Prémio Wenjin da Biblioteca Nacional da China ou o Prémio Henríquez Ureña da Academia Mexicana de la Lengua, foi reconhecido em Espanha com o Prémio Nacional de Ensaio, o Prémio «El Ojo Crítico» de Narrativa, o Prémio do Grémio de Livrarias e o galardão «Líder Humanista», entre outros. Contra qualquer prognóstico, ultrapassou as 50 edições em Espanha, está traduzido em 39 línguas e publicado em mais de 60 países. Colabora com prestigiados meios de comunicação como o El País e o Heraldo de Aragón em Espanha, o Corriere della Sera em Itália. Alguns dos seus artigos foram reunidos em Alguém Falou sobre Nós (2017) e O Futuro Recordado (2020). Entre as suas obras de ficção, destaca-se O Silvo do Arqueiro (2015), também traduzido em diversas línguas, bem como o conto ilustrado A Lenda das Marés Mansas (2023). Em 2024 foi publicado em Portugal O Infinito Num Junco em formato de novela gráfica.

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