«É como se dançasse com os mortos», escreve Miguel Esteves Cardoso no prefácio de Vidas Perfeitas, o livro que reúne as crónicas de obituários que Carla Quevedo generosamente publica, todas as semanas, no semanário Expresso. «Quando ela olha para a vida de alguém, é incapaz de se deter nos pormenores, nas chatices, nas banalidades. Ela vê o rasgo, a diferença, a razão de viver.» É dessa sensibilidade que nascem os textos que perpetuam uma das mais nobres e clássicas atividades jornalísticas – o obituário –, agora sob a forma de livro.
«O tom com que se escreve sobre uma vida que acabou de desaparecer não deve ser cerimonioso nem sentimental», reforça a autora, que evita «elogios despropositados ou heroificar alguém só por ter desaparecido». Vidas Perfeitas reúne obituários de 2023 a 2025: algumas destas pessoas tiveram vidas breves, outras foram más pessoas, outras influenciaram os acontecimentos no mundo, outras dedicaram a sua vida aos outros – mas todas elas permanecem na nossa memória.
O chefe da máfia italiana Matteo Messina Denaro, a dançarina Chita Rivera, a ativista dos direitos das aves Karen Davis, a psicóloga Isca Salzberger-Wittenberg, o historiador José Mattoso, os atores Robert Redford, Brigitte Bardot ou Diane Keaton, o discreto filósofo Paulo Tunhas, o inclassificável Luis Fernando Verissimo, a insolente Rita Lee, os escritores Martin Amis e Mario Vargas Llosa, André Jordan («o pai do turismo em Portugal»), as musas Jane Birkin e Astrud Gilberto, o realizador António-Pedro Vasconcelos, os poetas Nuno Júdice e Adília Lopes, Mary Quant (que popularizou a minissaia), a economista pioneira Teodora Cardoso, entre muitos outros.
A celebração de vidas que merecem ser contadas chega às livrarias a 16 de abril.
Sobre a Autora
Carla Quevedo é autora do livro As Mulheres Que Fizeram Roma: 14 Histórias de Poder e Violência. Mestre em Estudos Clássicos e Literatura Grega (2005) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, colabora regularmente na imprensa escrita desde 1998, em títulos como o Diário de Notícias ou O Independente, entre outros. Foi colunista da revista Atlântico e dos jornais i, Metro e Sol. Participou no programa Irritações, na SIC Radical. É autora do podcast As Mulheres Não Existem (duas temporadas, na Antena 1 e no Expresso, apresentadas com Matilde Torres Pereira). É autora da coluna de obituários «Vidas Perfeitas», no Expresso.






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