Aquando da divulgação de Os Últimos Dias de Roger e Outros Finais em Portugal, há três anos, a pergunta de um jornalista deixou Geoff Dyer a pensar, e a situação repetiu-se em Itália: o que queriam saber era se, depois de um livro sobre finais, o escritor britânico estaria a preparar um sobre começos. A resposta surge agora, com um livro de género único – como é apanágio do autor – em que Dyer percorre as suas mais antigas memórias, numa altura em que prepara o regresso a terras lusas, onde vai participar, já em maio, no Festival 5L, em Lisboa. Inícios que também marcam a estreia da dupla de tradução em Portugal, Bruno Vieira Amaral e Susana Almeida, com a chegada de Trabalho de Casa às livrarias a 7 de maio.
Com humor, ironia e inteligência, Geoff Dyer, filho único de uma cozinheira e um operário, nascido num mundo moldado ainda pelo rasto da Grande Depressão e da II Guerra Mundial, relata as suas memórias de início de vida, compondo um retrato de conjunto das mudanças sociais das décadas de 1960 e 1970, em particular, da classe trabalhadora britânica. Recua à primária e à secundária, ao percurso escolar que o levou a Oxford, e, longe de nos dar uma história de dificuldades, revela e celebra as oportunidades conquistadas no pós-guerra das quais beneficiou. E nunca perde o seu estilo cómico (por vezes, hilariante) e erudito, profundo e vivo: os costumes, a família, as casas, os lugares, as brincadeiras, a escola, os desportos, os pequenos interesses amorosos e a génese dos seus grandes e muito variados interesses, que mais tarde viria a desenvolver na escrita. Mostra, em suma, como se começa a viver e como se podem aproveitar as grandes transformações do mundo.
Sobre o Autor
Geoff Dyer nasceu em Cheltenham, Inglaterra, em 1958. Fez o ensino secundário na sua cidade e os estudos superiores em Oxford. É autor de vários romances e um dos mais originais escritores de não-ficção contemporâneos: um estudo crítico sobre John Berger, várias coletâneas de ensaios e mais de meia dúzia de títulos de género indefinível sobre jazz, fotografia, cinema, literatura, viagem. Foi distinguido com numerosos prémios – Somerset Maugham, John Llewllyn Rhys Memorial Prize, National Books Critics Circle Award, E.M. Foster Award; Escritor do Ano pela revista GQ (2009), Windham Campbell Prize, na categoria de Não-Ficção e o Bollinger Everyman Wodehouse Prize. É bolseiro honorário do Corpus Christi College, Oxford, e membro da American Academy of Arts and Sciences. As suas obras estão traduzidas em 26 idiomas. A Quetzal tem vindo a publicar as suas obras: Yoga Para Pessoas Que Não Estão Para Fazer Yoga (em duas edições, em 2013 e 2019); Mas é Bonito (2014), Areias Brancas (2018), Os Últimos Dias de Roger Federer e Outros Finais (2023) e Trabalho de Casa (maio de 2026). Depois de dez anos como Escritor Residente na University of Southern California em Los Angeles, Geoff Dyer voltou a viver em Londres.





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