Esta semana dentre as várias estreias de cinema nas salas nacionais o "Cultura e não Só" destaca as seguintes:
De Gaulle: Resistência
Junho de 1940. A França é derrotada pelos alemães e, a 22 de Junho, forçada a assinar o armistício, que entrega à Alemanha cerca de três quintos do seu território. Com o exército francês fortemente reduzido e desarmado, um general ainda pouco conhecido recusa dar-se por vencido e parte para Londres. O seu nome é Charles de Gaulle (1890-1970). A 18 de Junho, através da BBC, lança o seu célebre apelo à resistência, procurando convencer os franceses de que a luta não está perdida e de que o país não se rendeu ao nazismo. É o primeiro passo para a criação da França Livre.
Se, num primeiro momento, tudo parece perdido, a esperança de libertar novamente o país ganha força à medida que homens e mulheres, militares e civis, se juntam à Resistência, dispostos a lutar por uma França livre do jugo inimigo. Entre Londres, a França ocupada e os vários territórios do império colonial francês, uma luta que começa por ser a de um homem solitário transforma-se num movimento de resistência política e militar.
Estreado internacionalmente no Festival de Cinema de Cannes, este drama histórico é realizado e co-escrito por Antonin Baudry, em parceria com Bérénice Vila, a partir da biografia “De Gaulle: une certaine idée de la France”, de Julian T. Jackson. A segunda parte, “De Gaulle: Liberdade”, mostra os principais eventos que decorreram entre os anos 1943 e 1944 e vai estrear-se a 29 de Outubro.
Simon Abkarian interpreta De Gaulle, acompanhado por Simon Russell Beale, Benoît Magimel, Niels Schneider, Anamaria Vartolomei, Florian Lesieur e Mathieu Kassovitz.

Primavera - As Quatro Estações
Veneza, 1716. Cecilia (Tecla Insolia) é uma jovem órfã de 20 anos que vive no Ospedale della Pietà, uma instituição que acolhe raparigas abandonadas e onde as mais talentosas são educadas para a música. Apesar do seu grande talento para o violino, Cecilia só pode actuar atrás de uma grade, perante os ricos benfeitores da instituição. O seu futuro parece estar limitado às paredes da Pietà ou a um casamento que lhe permitirá deixar o orfanato, mas que poderá pôr fim à sua carreira musical.
A chegada de Antonio Vivaldi (Michele Riondino), sacerdote e compositor, contratado como novo professor de violino, altera profundamente a sua vida. Entre os dois nasce uma relação de admiração e cumplicidade artística, que leva Cecilia a descobrir não só o seu talento, mas também a liberdade de escolher a vida que quer para si.
Primeira longa-metragem de Damiano Michieletto, “Primavera” é um drama de época que adapta livremente o romance “Stabat Mater”, de Tiziano Scarpa que, por sua vez, se inspira na passagem de Antonio Vivaldi (1678-1741), pelo Ospedale della Pietà.

Noite e Dia
Londres, 1910. Pertencente a uma família tradicional e muito respeitável, Katharine Hilbery (Haley Bennett) é uma mulher à frente do seu tempo. Pouco disposta a corresponder às expectativas dos outros, está determinada a estudar Astronomia na Universidade de Cambridge. Quando consegue escapar a um noivado que não deseja e realizar o sonho de frequentar a universidade, tenta conciliar os seus sentimentos com a vontade de construir uma vida à medida dos seus desejos. Nesse caminho, conhece Mary Datchet (Lily Allen), uma corajosa sufragista que sabe exactamente o que quer, e Ralph Denham (Elyas M’Barek), um rapaz por quem se apaixona e que não pretende desviá-la dos seus propósitos.
Uma comédia romântica assinada pela realizadora britânica de origem iraniana Tina Gharavi (“I Am Nasrine”) que retrata uma época em que as mulheres estavam sujeitas a muitas restrições sociais. O filme adapta o romance homónimo de Virginia Woolf (1882-1941), escritora feminista e uma das mais proeminentes figuras da literatura do século XX.