Em dezembro de 2024, enquanto Marco Martins considerava adaptar Um Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen, focando no conflito entre o indivíduo e o coletivo, a PSP realizou uma operação policial controversa na Rua do Benformoso, em Lisboa. Cerca de 60 imigrantes, sobretudo do Bangladesh, foram forçados a permanecer encostados à parede com as mãos na cabeça durante duas horas. As imagens do episódio, captadas por moradores, tornaram-se virais e geraram debate público sobre a legitimidade da ação e a exposição de pessoas sem antecedentes criminais. Este caso tornou-se símbolo da forma como a imigração tem sido tratada na Europa: alvo de discursos políticos manipuladores, tanto da extrema-direita como dos meios de comunicação. A peça proposta por Marco Martins — fruto de um convite da Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura, com a coprodução e cumplicidade do Centro Cultural de Belém, do Teatro Municipal do Porto e do Théâtre de Liège — será construída a partir dos testemunhos e biografias destas pessoas, agora envolvidas no elenco.
Com investigação jornalística de Joana Pereira Bastos e Raquel Moleiro, e apoio do líder comunitário Rana Uddin, o projeto propõe uma reflexão crítica sobre o uso político da imagem do imigrante e a ausência da sua voz no espaço público.
CCB . 12 a 15 março . Grande Auditório
Quinta e sexta às 20h00 . sábado 19h30 (novo horário) . domingo às 17h00
Interpretado em português, inglês, bengali e nepali; legendado em português
Acessibilidade: espetáculo com interpretação em Língua Gestual Portuguesa, dia 15 março
M+16 | Duração: 2h
Neste espetáculo são utilizadas luzes estroboscópicas (strobe).
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