quarta-feira, 2 de abril de 2025

Auditório do Casino Estoril esgotou para a estreia de “Balas e Purpurinas - O Lado B da Eurovision”



O Auditório do Casino Estoril esgotou para a estreia de "Balas e Purpurinas - O Lado B da Eurovision". Com uma abordagem histórica o espectáculo desvenda vários acontecimentos que passaram despercebidos, de certa forma, ao grande público na época dos respectivos Festivais Eurovisão da Canção. Com direcção musical do maestro Nuno Feist, o ciclo de representações prolonga-se até 3 de maio.

Os jogos políticos internos e externos que têm sido uma constante ao longo das várias décadas do Festival Eurovisão da Canção estão em evidência num espectáculo que se distingue pelas actuações de Henrique Feist, Valter Mira, Catarina Clau e Filipa Azevedo.



“Como é sabido, mais uma vez o mundo está em guerra. O mais triste é que o mundo sempre esteve em guerra. Entre vários palcos que vão do desporto à música, há um que, desde 1956, tem ajudado a decifrar, mudar, vingar, perdoar, picar, alimentar a Europa – o palco da Eurovisão. Modo geral, o comum dos mortais vê a Eurovisão como um belíssimo programa de entretenimento musical, um abraçar entre povos e culturas. É isso. Mas...é muito mais”, refere Henrique Feist.

“O palco da Eurovisão foi sempre decisivo na história da própria Europa. Era e é um palco onde se limpam armas e se fazem ajuste de contas. Ou onde se prevê o futuro. A própria Eurovisão pré queda do muro de Berlim era uma coisa. Pós queda do muro com a introdução da Europa do Leste no certame, tornou-se outra. Nenhuma vitória foi à toa. Por trás de cada purpurina, de cada lantejoula, há sempre uma bala”.



“Uma cantora irlandesa ameaçada de morte pelo IRA se concorresse...o massacre nos Jogos Olímpicos de Munique e a vitória de Israel no ano a seguir...a vitória de Itália com o tema “Insieme Unite Europe” no início do anos 90...o Eduardo Nascimento com o tema “O Vento Mudou” ter sido uma jogada política de Salazar para mostrar à Europa que não era racista...a vitória de Espanha nos anos 60 ter sido a mando do regime do Franco...países do Leste que prenderam civis por terem votado em países do Ocidente...países que interrompiam a emissão aquando o anúncio da vitória de um outro país com quem estivessem em conflito...há tantas, mas tantas histórias que só ilustram o palco POLÍTICO que é e será sempre a Eurovisão. Basta ver, até para ser mais simples, o momento das votações...quem vota em quem. No entanto, houve exceções ... e claras. Onde só a música, só a melodia na sua simplicidade e beleza triunfaram. Onde mais nada importava. Onde a Europa só deixava ouvir notas musicais. Salvador Sobral é um claro exemplo disso”.

“O espectáculo tem uma mensagem moral – a constante procura da paz. E como a união entre os povos é que deve ser sempre o nosso estímulo. E a cultura deve sempre unir as pessoas. Paz”, conclui Henrique Feist.