terça-feira, 5 de maio de 2026

Exposição "Observar a Matéria, Criar um Mundo” de ZHANG LI



Na galeria Beltrão Coelho já passaram diversos projetos artisticos internacionais, a maior parte deles ligados a causas sociais ou a ações promocionais visando a aproximação entre culturas com raízes históricas comuns. Na exposição que inaugura a 7 de maio, pelas 18:00h,  que recebeu o título de "Observar a Matéria,  Criar um Mundo”, procurou-se, essencialmente,  aproximar culturas muito diferentes na forma de se expressar artisticamente, mas cujo cruzamento cultural já é antigo e ocorreu há mais de 500 anos . Assim, surgiu o convite para a artista chinesa Zhang Li apresentar o seu trabalho no espaço expositivo da Galeria Beltrão Coelho, um projeto de responsabilidade social.

A artista estará representada pela sua assistente Yanyan Gao.

Sobre a Artista

Zhang Li, nascida na China em 1989, é uma artista que explora a pintura tradicional chinesa de forma inovadora. Domina as duas técnicas clássicas do gongbi (pincel fino) e do xieyi (estilo livre e expressivo), e destaca-se na sua fusão com sistemas cromáticos modernos, criando uma linguagem artística de carácter distintamente pessoal.

Sobre a exposição "Observar a Matéria, Criar um Mundo”

Esta exposição apresenta três dimensões da prática artística de Zhang Li, que, em conjunto, formam um panorama completo para compreender a essência da pintura chinesa.

Pintura Gongbi (Pincel Trabalhado)
A pintura Gongbi representa a tradição do “pincel trabalhado” da pintura chinesa, com origem nas dinastias Tang e Song, e atingindo o seu apogeu na dinastia Song. O pintor atua como um fotógrafo do mundo natural, delineando com pincéis extremamente finos sobre papel Xuan amadurecido ou seda, para depois aplicar camadas de cor através do meticuloso processo de “três aplicações de alúmen e nove camadas de cor”, perseguindo um realismo e refinamento extremos. A sua beleza reside no impacto do detalhe na poesia serena, exigindo uma observação próxima para saborear a subtileza dos traços e das gradações de cor. A série Gongbi desta exposição, empregando técnicas como Mogu e zhuangfen, revive esta elegância e rigor clássicos num contexto contemporâneo.

Parte II: Pintura Xieyi (Estilo Livre/Expressivo)
A pintura Xieyi representa a tradição do “pincel do coração” da pintura chinesa, germinando durante as dinastias Song e Yuan, e florescendo amplamente nas dinastias Ming e Qing. É criada sobre papel Xuan cru, altamente absorvente, aproveitando a fusão natural da tinta-da-china. Apenas com as cinco tonalidades do preto (“a tinta divide-se em cinco cores”) —espessura, leveza, secura, humidade e negrume —pode representar um mundo infinito. Não procura a semelhança formal, mas sim o espírito e o carácter (Shenyun), criando o fluxo do “Qi” (energia vital) e um espaço de imaginação ilimitado através de pinceladas concisas vastas áreas deixadas em branco. Apreciar a pintura Xieyiexige um passo atrás, para sentir a sua energia vital global, o ritmo da tinta e do pincele o eloquente silêncio dos espaços vazios.

Parte III: Pintura Inovadora
Estas obras representam o diálogo da artista com a tradição. Zhang Li, mantendo-se fiel à origem da tinta e do pincel, integra ousadamente uma linguagem visual contemporânea, como a combinação de pigmentos tradicionais com esquemas cromáticos modernos (ex: paleta Morandi), ou a procura de novas interpretações na composição e nos temas. Não se trata de uma rutura, mas de permitir que uma forma de arte antiga continue a respirar e a crescer no presente, demonstrando vitalidade perene da pintura chinesa e o seu potencial transcultural.

Mais do que uma jornada visual, esta exposição é uma ponte, convidando o público a vislumbrar, através de três linguagens artísticas distintas, o espírito de observação “investigar as coisas para adquirir conhecimento “e a estética vital de “energia vital e dinamismo rítmico “da filosofia chinesa.

A exposição estará patente até dia 11 de junho, em dias úteis. Entrada Livre.