quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Hitler e o abuso de drogas



De que modo a ação nefasta de Adolf Hitler, que ditou o destino de milhões de pessoas, foi condicionada pelas drogas que o seu médico, Theodor Morell, lhe receitava? É esta a questão suscitada por Eric Frattini em O Médico e o Monstro, ensaio que aborda um novo ângulo da vida do ditador alemão: hipocondríaco vitalício, viveu os seus últimos anos completamente dependente do seu médico pessoal e de um receituário, no mínimo, duvidoso.

Estas são descobertas feitas a partir de uma recente e exaustiva desclassificação de documentos relacionados com a Alemanha Nazi, que surpreenderam a comunidade historiográfica e desmentem Joachim Fest. Há meio século, este historiador alemão afirmou perentoriamente, após investigar a fundo os derradeiros dias do Führer: «esta é a última palavra sobre este homem, porque não haverá novas revelações sobre Hitler que ainda não sejam do domínio público.»

Entre os milhões de páginas, os investigadores descobriram os diários meticulosos do Dr. Morell, onde o clínico registou as mudanças de humor de Hitler, os sintomas gastrointestinais, os problemas de pele e o diagnóstico de Parkinson que o ditador acreditava que não o derrubaria. «Mesmo que a minha mão trema, mesmo que até a minha cabeça trema, o meu coração nunca tremerá.»

O tratamento? Doses generosas de drogas, dos estimulantes aos sedativos, das hormonas aos multivitamínicos, dos esteroides à beladona e à cocaína, que Hitler viria a tomar até ao seu suicídio em abril de 1945.

Entre as notas, que provam igualmente a toxicodependência de membros do exército alemão, consta uma missiva que ajuda a entender a natureza destas prescrições. «Meu Führer, se, até agora, tivesse sido tratado por um médico comum, as suas atividades teriam sido interrompidas durante tanto tempo que o Reich teria corrido o risco de se desmoronar. Tive, portanto, de lhe administrar tratamentos curtos com doses elevadas de medicamentos, que roçavam os limites do que estava autorizado.»

Um documento histórico obrigatório, O Médico e o Monstro chega à rede livreira nacional no próximo dia 5 de fevereiro, com chancela da Bertrand Editora e tradução de Maria Ferro.

Sobre o Autor

Eric Frattini foi correspondente para o Médio Oriente e residiu em Beirute (Líbano), Nicósia (Chipre) e Jerusalém (Israel). É autor de mais de 25 livros, traduzidos em 16 idiomas e publicados em 42 países. O seu livro Os Espiões do Papa foi incluído na biblioteca de estudos sobre serviços secretos da CIA, em Langley. Em 2013 recebeu o Prémio Nacional de Investigação Jornalística da revista italiana Terra Incognita pela sua investigação do caso Vatileaks, que serviu de base ao livro Os Abutres do Vaticano, e em julho do mesmo ano foi distinguido com o Prémio Anual Strillaerischia (Itália) para o Melhor Enviado Especial pelo seu trabalho no Afeganistão. Foi produtor de documentários para o Discovery Channel e o National Geographic.