quarta-feira, 3 de junho de 2026

A grande arte pela mão de Borges




No ano em que se assinalam os 40 anos da morte de Jorge Luis Borges, a Quetzal publica O Livro dos Prólogos pela primeira vez em edição independente, num só volume, que inclui o «Prólogo dos Prólogos». «Uma espécie de prólogo, digamos, elevado à segunda potência», escreve o grande mestre argentino e um dos maiores autores do século XX que, ao longo da sua vida, combinou o trabalho de escritor e de crítico. «Que eu saiba, ninguém formulou até agora uma teoria do prólogo.»

Este livro reúne prólogos dispersos cujas datas oscilam entre 1923 e 1974. «O prólogo, quando os astros são favoráveis, não é uma forma subalterna do brinde; é uma espécie lateral de crítica. Não sei que juízo favorável ou adverso merecerão os meus, que abarcam tantas opiniões e tantos anos», lê-se no texto de abertura, escrito em 1974. É a grande arte pela mão de Borges. Neles há um Cervantes que nunca deixou de sonhar com um segundo D. Quixote, a voz de Walt Whitman, os artifícios de Valéry ou de Lewis Carroll, as alusões de Kafka, a fúria de Macbeth ou o orgulho americano de Melville. Mas também a biografia sintética, por exemplo, onde se concentra uma obra inteira e paira uma deliciosa ironia.

O Livro dos Prólogos chega hoje às livrarias, com tradução de Jorge Melícias, e dá continuidade à série de capas retiradas do tríptico As Tentações de Santo Antão, do pintor Hieronymus Bosch, exposto no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

A 14 de junho, data em que se assinala o adeus a Jorge Luis Borges, a Quetzal promove uma sessão evocativa e a apresentação deste livro às 18h00, no Auditório Lusíadas Saúde, na Feira do Livro de Lisboa. Com Francisco José Viegas, Fernando Pinto do Amaral e Pedro Mexia. 

Sobre o Autor

Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Azevedo nasceu em Buenos Aires, em 24 de agosto de 1899, e morreu em Genebra, em 14 de junho de 1986. Em 1923, publicou o seu primeiro livro, mas o reconhecimento internacional só chegou em 1961, com o Prémio Formentor, que partilhou com Beckett. A par da poesia, Borges escreveu ficção, crítica e ensaio, embora as fronteiras entre os géneros estejam diluídas pelo seu grande génio.  Foi professor de literatura e dirigiu a Biblioteca Nacional de Buenos Aires entre 1955 e 1973. A sua obra é como um labirinto de uma enorme biblioteca, uma construção fantástica e metafísica que cruza todos os saberes e os grandes temas universais.