Apresentado na secção Perspectives do Festival de Berlim 2026, o filme acompanha Alec, um adolescente introvertido que cresceu num contexto pouco convencional: o pai, Dylan, gere um pequeno negócio de produção de pornografia, e a própria casa da família funciona como espaço de trabalho. Depois de se mudarem de Londres para uma tranquila cidade costeira, Alec tenta começar de novo e esconder dos colegas a realidade da sua vida familiar.
Tudo muda quando conhece Nina, uma jovem independente e de personalidade forte que desafia as ideias que Alec herdou sobre sexo, desejo e relações. À medida que os dois se aproximam, Alec começa a perceber que a intimidade não pode ser reduzida àquilo que aprendeu a observar através de um ecrã.
Com Caolán O’Gorman, Safiya Benaddi, Andrew Howard e Alessa Savage nos principais papéis, Truly Naked utiliza o universo da indústria pornográfica como ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre adolescência, consentimento, vulnerabilidade, masculinidade e a procura de uma ligação genuína com o outro.
Um filme com coração sobre pessoas que anseiam por uma ligação real.
Para Muriel d’Ansembourg, a pornografia é sobretudo o cenário a partir do qual o filme aborda uma questão mais universal: a necessidade humana de intimidade.
A sexualidade é algo que, por um lado, interessa às pessoas, mas, por outro, também lhes provoca medo. É algo muito privado e, ao mesmo tempo, algo para o qual toda a gente parece estar a olhar, explica a realizadora numa entrevista ao Screen Daily. Para d’Ansembourg, Truly Naked é, acima de tudo, um filme com coração sobre pessoas que anseiam por uma ligação real, sendo o universo do cinema para adultos o pano de fundo para explorar esse desejo.
A realizadora parte também de uma preocupação particularmente contemporânea: a forma como uma geração que cresceu rodeada de imagens pornográficas constrói as suas primeiras ideias sobre sexo e relações. Numa entrevista recente, d’Ansembourg questiona o que significa para um jovem aprender sobre intimidade antes de ter experiências reais de proximidade e afeto e sublinha que o filme não pretende ser simplesmente "anti-pornografia".
Essa ambiguidade é central: mais do que condenar ou defender a pornografia, o filme procura criar espaço para questionar as imagens que consumimos, a forma como estas moldam expectativas e a diferença entre ver e ser verdadeiramente visto.
A chegada de Truly Naked a Portugal resulta da colaboração entre a Nitrato Filmes e a Filmin, permitindo ao público descobrir o filme tanto nas salas de cinema, a partir de 17 de setembro, como online, na Filmin, a partir da mesma data.
A estreia pretende aproximar diferentes públicos de uma obra que se encontra na interseção entre o cinema de autor, o coming-of-age e o debate contemporâneo sobre sexualidade e relações humanas.
