J. Rentes de Carvalho, agora com 96 anos, dá continuidade à publicação dos seus diários depois de Recordações e Andorinhas, editado no final do ano passado. Mantendo a obsessão com os portugueses e Portugal, o nosso romeiro sem romaria (é esse o seu ex-libris) mostra-nos o país através de pequenos apontamentos sobre as personagens e vidas comuns com que se vai cruzando. Voltas e Disfarces fica disponível esta semana, a 24 de setembro.
Mais intimista do que nunca, este novo volume de textos devolve-nos aos anos 2010 e 2011, viajando entre Amsterdam e Trás-os-Montes, entre a cidade e as montanhas, a literatura e o grande silêncio, o país mergulhado nas suas miudezas e a recordação de dias que passaram há muito.
Trocando os nomes e avariando as grandes teorias sobre o funcionamento da pátria, estas memórias de J. Rentes de Carvalho retratam o país com humor, cumplicidade, atrevimento, ou uma compreensão que não pede distância, mas proximidade. A sua obra é um dos melhores retratos de todos nós. E estes diários compõem uma das versões mais originais do memorialismo português de hoje. J. Rentes de Carvalho é uma consciência livre e independente, e as suas palavras sobre o país são escutadas com atenção. «Por um nada se nos marejam os olhos.»
Sobre o Autor
De ascendência transmontana, J. Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo e o Expresso. Em 1956 passou a viver em Amsterdam, onde se licenciou (com uma tese sobre Raul Brandão) e foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais, além de várias revistas literárias. Escreveu romances, contos, diário, crónica e guias de viagem ou ensaios. Vive entre Amsterdam e Estevais (Mogadouro), metade do ano em cada sítio. Recebeu, entre outros, os prémios D. Diniz da Fundação Casa de Mateus (2024), o da Fundação Inês de Castro (2026), ou os Grandes Prémios de Crónica (2013) e de Literatura Biográfica (2014) da Associação Portuguesa de Escritores.
