Afinal o Apocalipse não É para já, o novo livro de Miguel Esteves Cardoso (MEC), não é sobre o apocalipse. É antes sobre Portugal, os portugueses e a forma como o aplaudido cronista vê tudo isto entre o humor e a nostalgia, o espanto e a ironia. No auge da sua maturidade, mostra-se tal como nos habituou: a olhar para o quotidiano como se fosse sempre a primeira vez.
Este livro de crónicas, que reúne textos que MEC escreveu entre 2020 e 2024, não é sobre o apocalipse, mas diz-nos que a idade de um cronista «se pode determinar pela quantidade de apocalipses que já anunciou» e que «sempre que há um que não se verifica, lá vimos nós fazer “Uff!” e fingir que foi por pouco. Mas já não convencemos ninguém». A sugestão do autor? «Ganharíamos mais em aceitar que a longevidade humana não é suficiente para testemunhar um verdadeiro apocalipse. O único apocalipse com que podemos contar é o da nossa própria morte.» Resta-nos «ir arranjando outras desculpas para sobreviver».
Escolhidas entre mais de 1800 crónicas, as duzentas reunidas neste volume dividem-se em cinco grandes universos: o Coração, a Alma, os Olhos, a Boca e a Língua. Isoladamente iluminam o instante, reunidas desenham um retrato íntimo do nosso país através dos afectos, da memória, da gastronomia, da passagem do tempo e dessa forma muito portuguesa de sentir a saudade. Dizem-nos que continua a haver um escritor capaz de nos fazer pensar «é mesmo isto».
Espaço ainda para uma provocação de utilidade pública: «a ver se os meus amigos deixam de contar a história de Esopo [O Menino e o Lobo] como se fosse a história de Prokofiev [Pedro e o Lobo], mostrando que percebem tanto de literatura como de música clássica.»
Um livro que se lê como quem conversa com um amigo, Afinal o Apocalipse não É para já, chega à rede livreira nacional no dia 1 de outubro, com a chancela da Bertrand Editora.
Sobre o Autor
Miguel Esteves Cardoso (MEC) nasceu em Lisboa, em 1955, e quis ser escritor desde que se lembra de ler. Tem duas filhas, Sara e Tristana Esteves Cardoso, e um casamento muito feliz com Maria João Esteves Cardoso. Autor de uma obra que abarca todos os géneros, MEC foi o primeiro influenciador do país, mesmo antes de se falar em influenciadores. Há mais de quatro décadas que traça o mais original e belo retrato de um dos mais antigos países do mundo, chamado Portugal.



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