segunda-feira, 6 de julho de 2026

A despedida do eterno candidato ao Prémio Nobel da Literatura



Pouco conhecido em Portugal e apontado pelo New York Times como «o maior escritor vivo de língua inglesa do qual a maioria das pessoas nunca ouviu falar», o australiano Gerald Murnane é um eterno candidato ao Prémio Nobel da Literatura. A Quetzal tem agora a honra de acolher no seu catálogo aquele que Murnane considerou ser o seu último romance, Territórios de Fronteira, publicado aos 80 anos. Chega às livrarias nacionais a 9 de julho com tradução de Salvato Teles de Menezes.

«Quanto mais se lê, melhor se torna», escreve o The Guardian, sobre Gerald Murnane, atualmente com 87 anos, que se despediu do género romance com uma obra melancólica e original.

Em Territórios de Fronteira, Gerald Murnane mantém-se fiel aos temas que percorrem toda a sua obra: a paroquialidade, o catolicismo, o trabalho da memória, a paisagem australiana e as corridas de cavalos.

O estilo tardio e descarnado de Murnane não tem enredo, nem personagens, só memórias e reflexões do narrador. O início e o fim de uma grande busca pelo sentido perdido da vida. Territórios de Fronteira foi galardoado com o Prime Minister’s Literary Award em 2018 (o prémio com a remuneração mais elevada da Austrália) e foi finalista do prémio literário de maior prestígio do país, o Miles Franklin Literary Award.

Sobre o Autor

Gerald Murnane (1939) nunca andou de avião, pouco viajou para lá do estado de Victoria, nunca usou um computador, um fax ou um telemóvel; viu poucos ou quase nenhuns filmes durante toda a sua vida; nunca visitou voluntariamente um museu ou uma galeria de arte; nunca usou óculos de sol; nunca entrou no mar nem em nenhum curso de água (não sabe nadar); não tem grande inclinação para sorrir. Há mais de cinquenta anos que constitui um enorme arquivo, o Chronological Archive, tanto para a posteridade, como para satisfazer o seu meticuloso sentido de ordem. Murnane joga golfe todas as semanas e é bartender no club house. Deve ser o único candidato ao Nobel da Literatura a servir copos. É autor de, nomeadamente, A History of Books, A Million Windows ou Tamarisk Row, que a Quetzal publicará em breve.