De 12 de Setembro a 24 de Outubro, o Cinema Fernando Lopes apresenta uma nova mostra dedicada a um dos grandes autores do cinema, dando continuidade à programação dedicada à descoberta e revisitação de autores fundamentais da história do cinema. Sobre a Vida e Outras Tragédias: Mostra Essencial Roy Andersson, propõem um percurso por mais de cinquenta anos da obra do realizador sueco Roy Andersson, incluindo os três filmes que constituem a célebre Trilogia dos Vivos, os seus dois primeiros filmes e cinco filmes de curta-metragem essenciais.
Roy Andersson construiu um universo cinematográfico absolutamente próprio, assente numa estética tableau feita por planos fixos rigorosamente compostos, personagens de rostos pálidos, espaços quotidianos transformados em estranhos palcos e um humor tão seco quanto profundamente humano. Entre o cómico e o trágico, o banal e o filosófico, fez da condição humana - e das suas pequenas misérias, solidões, desejos, fracassos e momentos de inesperada ternura -, a matéria de um cinema sem igual.
A mostra Sobre a Vida e Outras Tragédias: Mostra Essencial Roy Andersson reúne seis filmes de longa-metragens e uma sessão composta por cinco filmes de curta-metragens, atravessando mais de cinquenta anos da sua obra, desde o romantismo juvenil de Uma História de Amor (1970), ao universo depurado e existencial de Da Eternidade (2019).
No centro da programação encontra-se a célebre Trilogia dos Vivos, composta por Canções do Segundo Andar (2000), Tu, que Vives (2007) e Um Pombo Pousou num Ramo a Reflectir na Existência (2014), três filmes fundamentais do cinema europeu contemporâneo nos quais o realizador aperfeiçoou a linguagem visual que se tornaria a sua assinatura: vinhetas autónomas, enquadramentos frontais e uma sucessão de situações simultaneamente absurdas, melancólicas e cómicas sobre a extraordinária dificuldade de simplesmente estar vivo.
A mostra permite também (re)descobrir a obra anterior à consolidação desse estilo. Uma História de Amor (1970), a sua primeira longa-metragem, revela um cineasta ainda próximo do naturalismo e tornou-se um dos títulos fundamentais do cinema sueco da década de ‘70. Segue-se Giliap (1975), cuja receção difícil levaria Roy Andersson a afastar-se das longas-metragens durante 25 anos, período em que desenvolveu, sobretudo através de publicidade e curtas-metragens, a linguagem visual radicalmente distinta que marcaria o seu regresso ao cinema. Esse período poderá ser descoberto na sessão Roy Andersson – 5 curtas essenciais que reúne Visita ao Filho (Besöka sin son, 1967), Levar a Bicicleta (Hämta en cykel, 1968), Sábado, 5/10 (Lördagen den 5.10, 1969), Aconteceu Alguma Coisa (Någonting har hänt, 1987) e Gloriosa é a Terra (Härlig är jorden, 1991), onde é possível observar, num mesmo programa, a transformação estética do realizador e algumas das experiências que conduziriam ao universo visual das suas obras posteriores.
Sobre a Vida e Outras Tragédias: Mostra Essencial Roy Andersson propõe, assim, não apenas revisitar os filmes mais celebrados do realizador, mas também acompanhar a evolução de um cineasta que transformou a observação do quotidiano numa forma muito particular de filosofia e a dificuldade de estar vivo numa forma muito particular de comédia.
