Numa tentativa de escrever sobre si própria, a inconformista Simone de Beauvoir – nascida em 1908 – redigiu aquilo que se transformou num verdadeiro tratado sobre a condição da mulher ao perceber que, para dar conta do seu objetivo inicial, teria de responder à pergunta «o que é uma mulher?». O Segundo Sexo, escrito entre 1948 e 1949, nasce desta necessidade. O texto, que ainda hoje sustenta a base das maiores correntes feministas e dos estudos de género, é já um clássico e, por isso, integra o catálogo da coleção A Biblioteca de Alexandria, com tradução de Sérgio Milliet. Chega às livrarias a 8 de outubro.
«A mulher determina-se e diferencia-se em relação ao homem e não este em relação a ela; a fêmea é o não-essencial perante o essencial. O homem é o ser, o Absoluto; ela é o Outro», lê-se na Introdução. Mais de 70 anos volvidos desde a sua primeira publicação, em 1949, os temas que Simone de Beauvoir discute em O Segundo Sexo continuam a ser pertinentes e a manter aceso o debate sobre a condição da mulher: «Não nascemos mulheres, tornamo-nos mulheres.»
Entretecendo argumentos da Biologia, da Antropologia, da Psicanálise e da Filosofia, Simone de Beauvoir revela os desequilíbrios de poder entre os sexos e a posição que as mulheres ocupam no mundo: o feminino, frisa, não é um «destino» biológico, mas uma construção através da qual a sociedade patriarcal reduz a mulher a um papel de «outro», subordinado ao homem.
Sobre a Autora
Simone de Beauvoir nasceu em Paris, em 1908, no seio de uma família burguesa, e era a mais velha de duas irmãs. Morreu em Paris, em 1976. Estudou Filosofia na Sorbonne, onde conheceu Sartre, companheiro de toda a vida e com quem viveu uma relação célebre pelos seus padrões de abertura e honestidade. No final da Segunda Guerra Mundial, editou a revista política Les Temps Modernes, fundada por Sartre e por Merleau-Ponty, entre outros. Foi ativista no movimento francês de emancipação das mulheres, nos anos de 1970, e serviu de modelo e de influência aos movimentos feministas posteriores. Simone de Beauvoir ganhou o Prémio Goncourt em 1954 com Os Mandarins, cujo herói se inspira na figura de Nelson Algren, com quem manteve um longo e intenso romance. Autora de uma vasta obra literária, filosófica e autobiográfica, Simone de Beauvoir publicou, em 1949, O Segundo Sexo, texto basilar do feminismo contemporâneo que agora se disponibiliza n’A Biblioteca de Alexandria.
