Jesus existiu mesmo? Quem escreveu os Evangelhos? Jesus era zelota? Que relação concreta existiu entre a morte de Lúcio Élio Sejano e a condenação de Jesus? Com base nestas e outras questões que gravitam no imaginário coletivo de cristãos e não cristãos, o historiador norte-americano James Lacey partiu para uma profunda investigação sobre a vida e morte de Jesus e como elas foram, inevitavelmente, impactadas e determinadas pelo Império Romano. As conclusões desse estudo estão em Jesus e o Império Romano, ensaio histórico que contradiz crenças históricas de longa data e que nos dá uma visão mais abrangente e precisa do Novo Testamento.
Começando pela sacramental questão: Jesus existiu mesmo? Segundo James Lacey, sim. «Existem fontes quase contemporâneas, não cristãs e sem relação com os evangelistas que comprovam a existência de Jesus.» A principal é a do historiador do princípio do Império Romano, Tácito, que escreveu sobre o grande incêndio de Roma: «Assim, Nero, para desviar as suspeitas, procurou achar culpados e castigou, com as penas mais horrorosas, a certos homens que, já dantes odiados por seus crimes, o vulgo chamava cristãos. O autor deste seu nome foi Cristo, que, no governo de Tibério, foi condenado ao último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos.»
Quanto à crucificação de Jesus, o autor afirma que está indiretamente ligada ao assassinato de Sejano, o confidente mais próximo do imperador romano Tibério. Sejano foi «estrangulado, e o corpo foi atirado pelas escadas, à vista do Fórum […]. Este ato brutal desencadeou uma série de acontecimentos que estabeleceram o contexto do julgamento de Jesus, sete meses mais tarde».
Entre as crenças desmontadas por Lacey neste ensaio, está a convicção de que Jesus podia ter sido um dos zelotas, movimento de oposição violenta ao domínio romano da Judeia. Hipótese inviável, segundo o autor, pois o movimento só nasceu após a morte de Jesus. «Nem a Judeia, nem a Galileia estavam à beira de uma insurreição popular. […] O aparecimento do movimento zelota na geração após a morte de Jesus deveu-se ao colapso da economia regional e à miséria de uma grande parte da população.»
Mas as surpreendentes descobertas de Lacey não ficam por aqui. O autor descobriu um mundo vibrante e rico, quando ainda estão a ser feitos os primeiros contactos com a realidade do poder romano. Retrata Públio Quintílio Varo marchando com as suas legiões a caminho de Jerusalém passando por um Jesus de quatro anos de idade. E descreve como Herodes prosperou apaziguando algumas das pessoas mais perigosas da história: Pompeu, Júlio César, Marco António, Cleópatra e Augusto.
Um documento obrigatório para revelar, pela primeira vez, Jesus, tal como ele nasceu e viveu dentro do grande espetáculo do mundo romano, Jesus e o Império Romano chega às livrarias a 19 de fevereiro com a chancela da Bertrand Editores e tradução de Miguel Castro Mata.
Sobre o Autor
James Lacey é professor de Estratégia na Escola Superior de Guerra do Corpo de Fuzileiros Navais. Também ocupa a Cátedra Horner de Estudos de Guerra na Universidade do Corpo de Fuzileiros Navais. Antes de assumir esta posição, foi analista sénior amplamente publicado no Instituto de Análises de Defesa em Washington, D.C. Os seus trabalhos anteriores incluem, entre outros, Rome: A Strategy for Empire, Great Strategic Rivalries e Gods of War.
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