Entre a comédia mais tresloucada e a reflexão filosófica mais pertinente sobre uma sociedade e os seus vícios, sobre as relações familiares e o papel do entretenimento nas nossas vidas, A Piada Infinita é um daqueles raros romances que inauguram um novo género no momento em que são publicados. Foi assim em fevereiro de 1996, há trinta anos, mantém-se tão ou mais atual agora, em 2026, na reedição da Quetzal que chega às livrarias nacionais a 19 de fevereiro, com tradução de Salvato Teles de Menezes e Vasco Teles de Menezes.
Situada num futuro próximo, a ação de A Piada Infinita, do incontornável David Foster Wallace, decorre entre uma academia de ténis e um centro de reabilitação de alcoólicos e toxicodependentes, em que o leitor acompanha uma família desestruturada. No centro da narrativa está um filme, A Piada Infinita, que deixa os espectadores num estado de apatia permanente, apenas interessados em revê-lo em contínuo.
Sátira aos costumes da sociedade de consumo, devaneio contra os excessos do pós-modernismo, lírico e erudito, lúdico e realista, a Magnum opus de David Foster Wallace, nas suas contradições e fôlego imenso, é um livro que escapa a qualquer definição. Mais do que uma obra sobre o nosso futuro coletivo, parece vinda de outro universo, como sugere a romancista Zadie Smith, referindo-se ao autor: «Um visionário, um artesão, um cómico, e tão sério quanto se pode ser sem escrever um texto religioso. É tão moderno que parece habitar um contínuo tempo-espaço diferente do nosso. Maldito seja.»
Sobre o Autor
David Foster Wallace nasceu em 1962, em Ithaca, Nova Iorque. Estudou Inglês e Filosofia e, durante a adolescência, foi praticante federado de ténis, uma atividade que viria a ser essencial na sua obra de ficção e não-ficção. Publicou o primeiro romance, The Broom of The System, em 1987, um livro influenciado por um dos seus ídolos literários, Thomas Pynchon, e que recebeu críticas bastante positivas da imprensa na altura. O segundo romance só apareceu nove anos depois, na forma das mais de mil páginas do colossal, delirante e inovador Infinite Jest (A Piada Infinita, na tradução portuguesa).
A revista Time considerou-o um dos 100 melhores romances de língua inglesa publicados desde 1923. No período entre a publicação dos dois romances, Wallace deu aulas de Literatura no Emerson College, em Boston, escreveu contos e artigos para a imprensa, entre os quais o muito influente «E Unibus Pluram: Television and U.S. Fiction», uma reflexão sobre as tendências da nova ficção americana. As coletâneas de ensaios e artigos jornalísticos A Supposedly Fun Thing I’ll Never Do Again (1997) e Consider the Lobster (2005) confirmaram Wallace como um dos escritores mais originais da sua geração, capaz de transformar um texto sobre o tenista Roger Federer numa obra de arte. O sucesso e o reconhecimento da crítica e do público não aliviaram, porém, os problemas de depressão que Wallace enfrentou ao longo de toda a vida. Em 2008, com apenas 46 anos, David Foster Wallace suicidou-se.
Com base no trabalho que deixou incompleto, o seu editor norte-americano decidiu publicar, em 2011, o romance póstumo The Pale King, o testamento literário de um génio da literatura universal.
