A exposição «Florestas Submersas by Takashi Amano», no Oceanário de Lisboa, encerra a 30 de junho de 2026, sendo a última oportunidade para os visitantes verem ou reverem uma das obras mais emblemáticas da instituição. Este momento será assinalado como o culminar de um ciclo excecional e do impacto duradouro que esta obra viva teve ao longo de uma década.
De exposição temporária a obra icónica
Inaugurada em 2015 e concebida como uma exposição temporária, com uma duração prevista de três anos, «Florestas Submersas by Takashi Amano» conquistou um lugar singular na história do Oceanário de Lisboa e no panorama internacional do aquapaisagismo, ao apresentar o maior nature aquarium alguma vez criado, com 40 metros de comprimento e cerca de 160 000 litros de água doce. Composto por 4 toneladas de areia, 25 toneladas de rocha vulcânica dos Açores e 78 troncos de árvores provenientes da Escócia e da Malásia, este aquário integra mais de 10 000 organismos vivos, incluindo 40 espécies de peixes tropicais e 46 espécies de plantas aquáticas.
A extraordinária adesão do público — mais de 10 milhões de visitantes ao longo de dez anos — prolongou naturalmente a presença desta instalação única, permitindo que milhões de pessoas se aproximassem da natureza através de uma experiência estética, sensorial e contemplativa.
A dimensão emocional desta obra é ainda mais significativa por se tratar da última criação de Takashi Amano (1954–2015). O artista encarou este projeto como o culminar do seu percurso. Consciente do estádio avançado da sua doença, dedicou-se à criação do maior nature aquarium do mundo como síntese da sua visão estética e filosófica. A propósito desta obra, afirmou: «Penso que este será o projeto da minha vida», sublinhando a importância que lhe atribuía.
Takashi Amano viria a falecer apenas quatro meses após a inauguração da exposição, em agosto de 2015. Este contexto confere à obra um significado particularmente intenso: trata-se do seu último grande gesto criativo, no qual procurou reunir os elementos da natureza num equilíbrio vivo e em permanente transformação.
«Para o Oceanário de Lisboa, ter sido o lugar escolhido para concretizar esta visão final representou também uma responsabilidade especial: preservar, durante uma década, com rigor e respeito, uma obra que marcou de forma definitiva a história do aquapaisagismo contemporâneo», refere Hugo Batista, Curador e Diretor de Biologia, acrescentando que «gerir o fim de uma obra viva implica reconhecer que a mudança sempre fez parte da sua essência. O crescimento das plantas, o rearranjo natural dos elementos e a evolução do ecossistema eram parte integrante da visão de Takashi Amano. O tempo foi sempre um elemento estrutural da obra. Encerrar este ciclo é, por isso, coerente com a filosofia wabi-sabi que lhe deu origem: aceitar a impermanência como parte da beleza e permitir que a evolução continue, agora sob novas formas».
Últimos meses: novas formas de (re)descobrir a obra
Nos últimos meses de «Florestas Submersas by Takashi Amano», o Oceanário de Lisboa promove um conjunto de iniciativas especiais que convidam a uma descoberta aprofundada desta obra, antes do seu encerramento.
Entre as atividades previstas destacam-se as sessões de poda subaquática ao vivo, que revelam o cuidado contínuo para manter o equilíbrio do aquário, e as visitas guiadas aos bastidores, que permitem conhecer de perto os processos técnicos e a dedicação da equipa responsável pela manutenção deste complexo ecossistema. Estas iniciativas oferecem uma perspetiva rara sobre a dimensão invisível da obra, reforçando o seu caráter vivo e em permanente transformação. Ao longo de dez anos, a manutenção deste aquário implicou mais de 11 000 horas de mergulho especializado. As datas e condições de participação devem ser consultadas no site do Oceanário de Lisboa.
O encerramento da exposição «Florestas Submersas by Takashi Amano», representa, assim, a conclusão consciente de um ciclo excecional, em linha com a missão do Oceanário de Lisboa de promover a renovação contínua das suas experiências.
O Oceanário de Lisboa está já a desenvolver um novo projeto expositivo para este espaço, que procurará envolver os visitantes numa experiência imersiva, capaz de despertar curiosidade e uma relação profunda com a natureza.
Até 30 de junho de 2026, esta é a última oportunidade para «mergulhar» na paisagem submersa criada por Takashi Amano — uma obra na qual arte, natureza e tempo coexistem num equilíbrio vivo.
Sobre Takashi Amano
Takashi Amano (1954–2015) foi um fotógrafo de paisagem e um dos mais influentes aquapaisagistas do mundo. Ao longo da sua carreira, percorreu florestas em vários continentes, captando a harmonia da natureza em estado puro.
É reconhecido como o criador do conceito de nature aquarium, uma abordagem inovadora à aquariofilia de água doce que recria paisagens naturais submersas, combinando princípios da jardinagem japonesa com a estética wabi-sabi, na qual a beleza emerge da simplicidade, da imperfeição e do caráter efémero das formas naturais.
O seu trabalho contribuiu para aproximar o público da natureza, promovendo uma maior consciência ambiental. Acreditava que, ao observarmos atentamente os ecossistemas naturais, poderíamos compreender melhor o nosso mundo e a importância da sua preservação.
Sobre o Oceanário de Lisboa
Inaugurado em 1998, o Oceanário de Lisboa tornou-se, desde então, um destino icónico que promove a sensibilização, a educação e a ação em prol do oceano. Com mais de duas décadas de impacto, é hoje uma referência global em conservação do oceano, literacia azul e turismo sustentável.
Projetado pelo renomado arquiteto Peter Chermayeff, o edifício incorpora a ideia do oceano como um sistema único, global e sem fronteiras. Desse conceito visionário surgiu o aquário central do Oceanário, rodeado por quatro habitats marinhos distintos.
Ao estabelecer uma ligação emocional entre as pessoas e o oceano, o Oceanário de Lisboa é um dos ativos da Fundação Oceano Azul, o seu único acionista, inspirando mudanças comportamentais e convidando todos a acolher o papel vital do oceano.
O Oceanário de Lisboa é membro da Rede Internacional de Centros para a Sobrevivência das Espécies (IUCN-SSC) e trabalha nas áreas da conservação e da ciência.
Eleito três vezes o Melhor Aquário do Mundo pelo Travellers' Choice Awards do TripAdvisor, o Oceanário oferece uma viagem imersiva pelo mundo, com mais de 8.000 animais marinhos de cerca de 500 espécies.

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