quinta-feira, 14 de maio de 2026

Estreias de cinema de 14 de Maio de 2026



Esta semana dentre as várias estreias de cinema nas salas nacionais o "Cultura e não Só" destaca as seguintes:



Teresa - A Madre de Calcutá

Noomi Rapace dá vida a Madre Teresa de Calcutá (1910-1997) durante a época em que era responsável pelo convento das Irmãs de Loreto Entally, em Calcutá (Índia). A acção decorre em 1948, dois anos depois do chamamento que Teresa recebeu de Deus para deixar o convento e consagrar-se ao serviço do próximo. Durante muito tempo, esperou ansiosamente pela autorização do Papa Pio XII (1876-1958) para fundar a sua própria ordem. Mas, quando essa autorização chegou e tudo parecia seguir o seu curso, deparou-se com um dilema terrível que quase fez com que todos os seus planos caíssem por terra.
Realizado por Teona Strugar Mitevska (“21 Days Until the End of the World”), na sua estreia na realização em língua inglesa, este drama biográfico centra-se em sete dias da vida de Madre Teresa. Freira católica nascida na actual Macedónia do Norte (ainda sob domínio turco) e de origem albanesa, foi fundadora da congregação das Missionárias da Caridade, cuja missão continua, ainda hoje, a prestar ajuda “aos mais pobres entre os pobres”, sejam eles doentes, pessoas sem-abrigo ou moribundos, através de uma rede de instituições de assistência presente em mais de 130 países. 

O seu trabalho valeu-lhe reconhecimento internacional, incluindo o Prémio Nobel da Paz, em 1979. Seis anos após a sua morte, a 5 de Setembro de 1997, foi beatificada pelo Papa João Paulo II e canonizada a 4 de Setembro de 2016 pelo Papa Francisco, na Praça de São Pedro, no Vaticano.

O filme abriu a secção competitiva Orizzonti na 82.ª edição do Festival de Cinema de Veneza e conta ainda com a participação de Nikola Ristanovski, Sylvia Hoeks, Ekin Koç, Marijke Pinoy e Labina Mitevska, entre outros. 



Iron Maiden: Burning Ambition

Formada em Leyton, no leste de Londres, em 1975, pelo baixista e compositor Steve Harris, a banda Iron Maiden é uma das mais influentes do mundo. Reconhecido pela energia dos seus concertos, pela estética visual marcada pela figura de Eddie e por uma sonoridade que ajudou a definir o heavy metal britânico — a chamada “New Wave of British Heavy Metal” (NWOBHM) —, o grupo construiu uma longa carreira, conquistando milhões de fãs a nível internacional.  Ao longo do tempo lançaram 17 álbuns, alguns particularmente marcantes na história do heavy metal, incluindo o álbum de estreia homónimo, “Iron Maiden” (1980), “Killers” (1981), “The Number of the Beast” (1982), “Piece of Mind” (1983), “Powerslave” (1984) e “Seventh Son of a Seventh Son” (1988), “No Prayer for the Dying” (1990), “Fear of the Dark” (1992), “Brave New World” (2000), “A Matter of Life and Death” (2006) ou o mais recente “Senjutsu” (2021). Ao longo de cinco décadas, venderam mais de 100 milhões de discos e tornaram-se uma referência incontornável da música.

Recorrendo a imagens de arquivo e a testemunhos de alguns dos seus admiradores mais conhecidos, como o actor Javier Bardem, o baterista dos Metallica Lars Ulrich ou o guitarrista Tom Morello, o realizador Malcolm Venville assinala meio século dos Iron Maiden.



Soco a Soco

Vencedor do Prémio do Público no Doclisboa e realizado por Diogo Varela Silva ("Do Bairro", "João Ayres, Pintor Independente", ​"O Diabo do Entrudo"), "Soco a Soco" acompanha o percurso de Orlando Jesus, uma das figuras incontornáveis do boxe nacional. Desde a década de 1970, quando se afirmou como campeão nacional, até aos anos seguintes, o filme percorre a sua vida, dentro e fora do ringue.

Mais do que um retrato desportivo, este documentário revela o homem por detrás do pugilista que, depois de uma carreira como lutador, se transformou num treinador respeitado, formador de campeões — incluindo o seu filho, Orlando Jesus Jr. — e também no único português a exercer como árbitro profissional da International Boxing Association.

“Este filme não pretende ser um documentário sobre boxe”, explica o realizador. “É antes o retrato de um certo tipo de homem e de uma certa Lisboa: uma cidade de vielas estreitas, clubes desportivos de bairro e de uma vida nocturna outrora vivida com intensidade crua…”, acrescenta. “Não se trata de um filme nostálgico. É antes um gesto de preservação. O retrato de um homem maior do que a vida e de uma Lisboa que já não cabe nos postais turísticos. O último ‘round’ de Orlando Jesus pode ser, no fundo, um combate contra o esquecimento”, remata.