Darwin considerava os seres humanos uma parte da teia da vida, e não o ápice de uma hierarquia natural. No entanto, hoje muitos defendem que somos a espécie mais inteligente, virtuosa e bem-sucedida que já existiu. Este pensamento errado leva-nos a explorar a Terra para os nossos próprios fins, criando um perigoso desequilíbrio planetário. Mas serão esta visão e este modo de vida inevitáveis? Entre estudos científicos e episódios da sua própria experiência como primatóloga, Christine Webb alerta-nos para o perigo do antropocentrismo no livro O Símio Arrogante, que chega às livrarias a 18 de junho.
Esta obra mostra que o excecionalismo humano é uma ideologia que assenta mais na cultura humana do que na nossa biologia, mais na ilusão e na fé do que em factos. «A tese deste livro é que o excecionalismo humano – vulgo, antropocentrismo ou supremacia humana – é a causa primordial da crise ecológica. Esta mentalidade generalizada proporciona aos humanos um sentimento de domínio sobre a Natureza, de que estamos separados dela e temos o direito de mercantilizar a Terra e as outras espécies para nosso benefício exclusivo», escreve a autora no primeiro capítulo. «E está a virar-se contra nós hoje em dia, promovendo os incêndios florestais, a subida do nível do mar, as extinções em massa e as pandemias como o coronavírus.»
A primatóloga de Harvard Christine Webb passou anos a investigar as riquíssimas vidas sociais, emocionais e cognitivas dos nossos parentes vivos mais próximos. Ela expõe as formas como muitos estudos científicos são tendenciosos em relação às outras espécies e revela complexidades subestimadas da vida não humana: desde a linguagem das aves canoras e dos cães-da-pradaria, passando pelas culturas dos chimpanzés e dos peixes de recife, até à perspicácia das plantas e dos fungos.
«Cada geração herda uma mundivisão que se esforça por ultrapassar. A revolução coperniciana revelou que os homens não eram o centro do cosmos. A revolução darwiniana mostrou que os humanos são uma espécie entre muitas, que evoluíram de origens comuns», resume Christine Webb. «Estamos no meio de uma outra revolução no modo como nos entendemos a nós mesmos em relação ao resto da Natureza – uma revolução que desafia os bastiões do antropocentrismo que continuam a existir na ciência ocidental.»
Com histórias cativantes e dados da investigação recente, proporciona-nos uma forma de olhar para outros organismos que muda paradigmas, e que está a revolucionar a nossa perceção tanto deles como de nós próprios.
O Símio Arrogante chega às livrarias a 18 de junho.
Sobre a Autora
Christine Webb é professora assistente no Departamento de Estudos Ambientais da Universidade de Nova Iorque, onde integra o programa de Estudos Animais. É uma primatóloga com formação abrangente e especialização em comportamento social, cognição e emoção. Trabalha com primatas não humanos em diversos contextos e colabora com académicos das ciências sociais e humanas para reimaginar o papel da ciência na tendência crescente de conceder estatuto moral a outros animais. O seu trabalho tem sido divulgado por meios de comunicação populares, incluindo The New York Times, The Washington Post, National Geographic e BBC.
