quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Sete mulheres que ousaram mudar o pensamento político do século XX



Sensivelmente metade da população, as mulheres, tem sido tratada como se de uma minoria se tratasse. Apenas há pouco mais de um século adquiriu o direito à vida pública e ao saber técnico. Neste livro, Mariana Dimópulos não nos traz um elogio ao feminismo, mas sim a vida e obra de sete mulheres que, ao longo do século XX, pensaram a sociedade deixando a sua marca na filosofia e na política. «Este livro relata uma história que, até hoje, se pauta pela invisibilidade: a de uma tradição contemporânea na filosofia escrita por mulheres.».

A autora faz uma análise brilhante da forma como as pensadoras do século XX refletiram sobre a liberdade e a justiça e como revolucionaram os fundamentos do pensamento político moderno. Numa perspicaz viagem histórica e filosófica, evidencia uma tradição intelectual que nos revela não apenas a capacidade das mulheres para o pensamento político, mas também o seu impacto na filosofia moderna.

«Ainda que este não seja um livro sobre lutas feministas, não deixa de retratar um dos seus efeitos mais patentes: a capacitação social e material das mulheres para o pensamento político», escreve a autora. «Estamos, em suma, diante de uma fase de inédita prosperidade na história de metade da humanidade e o seu resultado último: o recurso, por parte das mulheres, à prerrogativa masculina sobre o pensamento abstrato para entender a vida em comunidade.»

Mariana Dimópulos guia-nos pela vida e obra de sete pensadoras fundamentais do século XX — Rosa Luxemburgo, Simone Weil, Simone de Beauvoir, Hannah Arendt, Iris Murdoch, Ágnes Heller e Judith Butler — que, tanto pelas suas experiências pessoais como pelo seu compromisso político e intelectual, fizeram ouvir a sua voz para questionar as formas de poder e os conceitos universais tradicionais.

«A relação entre estas pensadoras não assume um carácter unicamente conceptual, ou seja, não se articula unicamente em torno do problema comum do sujeito político e suas diversas manifestações. A todas elas subjaz, adicionalmente, uma rede de referências», escreve Mariana Dimópulos. «Esta teia torna-se evidente em pelo menos dois sentidos: todas elas leram e criticaram os mesmos autores, sobretudo da tradição filosófica alemã e francesa, e todas se leram mutuamente.» Algumas foram contemporâneas e chegaram a coincidir também no espaço em cidades como Paris e Nova Iorque. Hannah Arendt e Simone Weil aguardaram ambas em Marselha em 1940 para deixar a Europa em fuga dos avanços do exército alemão. «Simone de Beauvoir e Simone Weil encontraram-se nos corredores da universidade e conversaram uma vez, mas os seus caminhos nunca mais voltaram a cruzar-se. Murdoch viu uma vez Beauvoir num café de Paris, mas não se atreveu a falar-lhe.»

Combinando história, biografia e filosofia, este livro revela-nos as contribuições decisivas destas mulheres que transformaram a filosofia política da sua época e apresenta-nos novos caminhos de reflexão sobre o presente. 

Sobre a Autora

Mariana Dimópulos é uma escritora, tradutora e docente nascida em Buenos Aires e residente em Berlim. Doutorada em Filosofia, especializou-se na tradição alemã e na obra de Walter Benjamin. Ministrou seminários de licenciatura e pós-graduação na Universidade de Buenos Aires e, na qualidade de docente convidada, lecionou na Universidade do Sarre e na Universidade de Halle-Wittenberg (Alemanha).  É autora dos romances Anís (2008), Cada despedida (2010), Pendiente (2013) e Quemar el cielo (2019, finalista do Prémio Medifé Filba), bem como dos ensaios Carrusel Benjamin (2017), Decir el mundo. Una introducción a la filosofía del lenguaje (2025) e Don de lenguas (2025), este último escrito em colaboração com J. M. Coetzee.