A humorista Atsuko Okatsuka esteve, ontem à noite, no Casino Lisboa a apresentar o seu mais recente espectáculo de stand-up comedy perante uma sala cheia de espectadores de diferentes nacionalidades.
A The Full Grown Tour já percorreu várias cidades europeias e perante a plateia portuguesa não hesitou em comparar a energia do público luso à dos espectadores escandinavos, um comentário motivado pelo facto de os presentes terem mostrado pouco entusiasmo ao longo da quase 1h30 de duração do espectáculo.
A abrir a apresentação esteve outro comediante Dylan Adler, que durante 20 minutos se apresentou em palco com piadas relativas a sua descendência familiar por ser em parte Asiático, Americano e judeu, mas a maioria do seu material recaiu sobre a sua homossexualidade, a sua afirmação sexual, bem como duas cançoes sobre a sua vida.
Dylan conseguiu arrancar alguns sorrisos e aplausos muito tímidos da plateia quase como um pronúncio do que seria o resto da noite.
Já Atsuko Okatsuka durante a sua apresentação variou entre temas mais próximos do público português como a dificuldade em fazer amizades na idade adulta, o casamento e as relações familiares. Assuntos que de certa forma foram arrancando aplausos e algumas gargalhadas.
No outro espectro estiveram temas como interculturalidade associada à realidade americana e asiática e às “cheerleaders” americanas. Piadas tão distantes da realidade lusa que levaram a comediante a perguntar “vocês têm cheerleaders em Portugal” recebendo um sonoro “Não” do público, ao que Atsuko respondeu “ahhh!! já entendi”.
No final do espectáculo os dois comediantes juntaram-se em palco permitindo que o público lhes fizesse algumas perguntas, algo que poderia ter suscitado um momento de crowd work, mas que uma vez mais suscitou apenas algumas questões de mera curiosidade do público relativamente à vida de cada um dos humoristas.
Em suma, as quase duas horas de espectáculo morno, comprovam que por se ter uns especiais em plataformas de streaming e muitos seguidores nas redes sociais se consegue esgotar salas, mas que não necessariamente vai encontro da realidade humoristica do público.
É, no entanto de louvar a iniciativa do Casino Lisboa em acolher espectáculos de comediantes, algo impensável na capital até à poucos anos e que agora entra cada vez mais na rota destes artistas.
Texto escrito por Rui Costa em exclusivo para o Cultura e Não Só.