Antes da era do imediato, já havia imagens que circulavam de mão em mão. Gravadas, impressas, repetidas com rigor e paciência. A gravura nasceu desse gesto lento, onde cada linha exige precisão e cada impressão carrega variações distintas. É esse tempo, quase em contraciclo com o presente, que o Museu do Oriente destaca, com a exposição “Da Matriz à Impressão”, a partir de 10 de abril.
A exposição assinala os 25 anos da Associação de Gravura Água-Forte e reúne obras de 45 artistas de diferentes gerações e geografias, entre professores, convidados e membros fundadores da associação. Mais do que apresentar técnicas, a exposição revela uma forma de arte que resiste à lógica imediata da imagem digital. Aqui, a criação passa pela matriz. Um suporte que se trabalha, se corrige e se volta a trabalhar. A impressão surge como resultado desse processo.
Com curadoria de Fátima Ferreira, cofundadora da Associação e figura central na sua história e desenvolvimento, a exposição constrói uma leitura que cruza o legado pedagógico com a prática contemporânea. Ao longo do percurso, técnicas como água-forte, água-tinta, ponta seca, buril, maneira negra e xilogravura, surgem como linguagens distintas que revelam diferentes formas de olhar e interpretar o mundo.
A exposição recupera também a origem asiática da gravura e o seu papel histórico na circulação de imagens e ideias. Durante séculos, a gravura permitiu difundir conhecimento em contextos religiosos, políticos e culturais, muito antes da reprodução digital. Associada ao surgimento da imprensa, a gravura contribuiu para a educação e para a construção de uma cidadania crítica. Esse passado dialoga agora com o presente, num momento em que o interesse por processos manuais e práticas artísticas mais lentas volta a ganhar espaço.
Ao longo dos meses em que estará patente, a exposição é acompanhada por um programa paralelo que prolonga a experiência para lá da observação. Conversas com artistas e oficinas práticas convidam o público a entrar nos processos da gravura e a experimentar diferentes técnicas. Entre os destaques, contam-se oficinas conduzidos por artistas convidados, como a técnica de Scratch art por Masataka Kuroyanagi com materiais trazidos do Japão, sessões de introdução à linogravura, ponta seca, cologravura e ao buril, bem como visitas curatoriais que aprofundam a leitura das obras em exposição.
Com artistas de países como Portugal, Espanha, Países Baixos, Reino Unido, Argentina, Estados Unidos e Japão, “Da Matriz à Impressão” reflecte a rede internacional construída pela Associação Água-Forte ao longo de 25 anos.
Exposição | Da Matriz à Impressão
Associação de Gravura Água-Forte. 25 Anos
Datas: 10 Abril a 9 Agosto
Local: Galeria Sul – Piso 0
Horário: 10h às 18h | Sextas até às 20h
Nota: Bilhete de entrada dá acesso a todas as exposições patentes
Preço: €10
