sexta-feira, 10 de abril de 2026

«O Assassino Cego»: o puzzle literário que deu a Margaret Atwood o primeiro Booker Prize da carreira



A inigualável Margaret Atwood recebeu, no ano 2000, o primeiro Booker Prize da carreira por O Assassino Cego. Considerada uma das maiores autoras do panorama literário mundial, Atwood oferece-nos, neste romance, uma história em que a profunda ironia e o drama sombrio culminam numa reviravolta final brilhante e deveras surpreendente.

O Assassino Cego é tanto uma grandiosa saga familiar como um perfeito noir, ao qual não falta uma história de amor e uma comovente denúncia social. Uma nova edição desta obra, que estava esgotada no catálogo da Bertrand Editora, chega às livrarias a 16 de abril com uma nova capa, e surge no seguimento das reedições de A História de Uma Serva (romance e novela gráfica) e de Chamavam-lhe Grace. Seguir-se-á uma nova edição de Os Testamentos, obra pela qual Atwood recebeu o seu segundo Booker Prize.

«Dez dias depois do fim da guerra, a minha irmã Laura atirou-se de uma ponte com o seu carro.» As inquietantes palavras, que servem de porta de entrada para O Assassino Cego, são proferidas por Iris Chase Griffen. Grande herdeira de uma família canadiana, agora pobre e com 82 anos, Iris conta a história da sua vida e dos acontecimentos que levaram à morte da irmã. Pouco a pouco, os segredos religiosamente guardados da rica e excêntrica dinastia Chase são revelados. Um dos segredos é O Assassino Cego, um romance que rendeu à falecida Laura Chase não apenas notoriedade, mas também um culto de leitores devotos. À medida que esta história dentro da história se desenrola, entre amor, ciúme, sacrifício e traição, o mesmo acontece com a narrativa real, aproximando-se ambas, pé ante pé, da catástrofe.

O Assassino Cego é um misterioso puzzle literário, um labirinto de histórias sobre amor, perda, poder, ideias de classe e independência feminina, entretecido na prosa magistral e pejada de humor negro, língua afiada e profundidade emocional que é a imagem de marca de Margaret Atwood. É também um olhar poderoso sobre a forma como as mulheres lidam com as expectativas sociais que lhes são impostas, usando a narrativa como forma de resistência.

O Assassino Cego, de Margaret Atwood, chega às livrarias a 16 de abril, com tradução de Elsa T. S. Vieira.

Sobre a Autora

Margaret Atwood é uma das mais celebradas autoras do panorama literário mundial e, além do clássico A História de Uma Serva, publicou mais de cinquenta livros de ficção, poesia e ensaio. Recebeu diversos prémios literários ao longo da sua carreira, incluindo o Booker Prize (por O Assassino Cego, em 2000, e por Os Testamentos, sequela de A História de Uma Serva, em 2019), o PEN Center USA Lifetime Achievement Award e o The British Book Award for Freedom to Publish. Uma das mais ativas vozes na defesa pelos direitos das mulheres, na ficção e na não-ficção, está traduzida em mais de quarenta idiomas. Vive em Toronto. 

Margaret Atwood recebeu, em 2022, o título de Doutora Honoris Causa, atribuído pela Universidade do Porto pela «extraordinária qualidade da sua obra literária, a importância da sua reflexão intelectual e a pertinência do seu combate público por uma sociedade mais justa, digna e sustentável».