O Fontes Sonoras é um projeto de residências artísticas dedicado à escuta e à criação sonora em diálogo com o território e a comunidade da Aldeia das Fontes, em Leiria. Iniciado em 2025, o projeto estrutura-se em três residências artísticas distribuídas ao longo do ano, acompanhando diferentes estações - inverno, primavera e outono - e convidando artistas a explorar o som como ferramenta de leitura sensível da paisagem, da ecologia e das relações entre humano e ambiente.
Na sua edição inaugural, em 2025, o Fontes Sonoras acolheu três residências artísticas: o compositor e artista sonoro Andreas Trobollowitsch, em março; a dupla Inês Tartaruga Água & Xavier Paes, em maio; e os artistas Rie Nakajima & Pierre Berthet, em outubro. Ao longo destas residências, o projeto afirmou-se como um espaço de experimentação sonora, criação site-specific e encontro entre práticas artísticas contemporâneas e a comunidade local.
Em 2026, o Fontes Sonoras dá continuidade a este percurso com um novo ciclo de três residências. A primeira residência deste ano conta com o artista Gil Delindro, um dos nomes portugueses com maior reconhecimento internacional na área da arte sonora e no cruzamento entre som, escultura e ecologia. A residência decorre entre 22 de fevereiro e 1 de março, culminando com uma apresentação pública no dia 1 de março, onde será partilhado o resultado do processo de investigação e criação desenvolvido no território.
A prática artística de Gil Delindro tem-se centrado, ao longo da última década, na pesquisa de campo e na leitura crítica da paisagem, explorando temas como biodiversidade, ecologia e políticas territoriais. O seu trabalho parte frequentemente da captação sonora, da observação direta e do contacto prolongado com contextos naturais diversos, da floresta amazónica a glaciares, desertos e parques naturais, procurando ativar relações sensíveis entre som, matéria e lugar.
No contexto do Fontes Sonoras, o artista dará continuidade a uma linha de trabalho recente relacionada com as políticas de florestação nacional e as formas de resiliência face aos incêndios florestais. A proposta passa pela criação de uma peça escultórica de arte sonora, construída a partir de materiais orgânicos recolhidos localmente, que se afirmam através da sua sonoridade em tempo real. A obra será entendida como um dispositivo sensível e site-specific, aberto às características do território e ao tempo limitado da residência.
A região de Leiria, profundamente marcada pelos incêndios florestais da última década, em particular o de 2017 que afetou gravemente o Pinhal de Leiria, surge como um contexto central para esta investigação artística. Através do som e da escultura, o trabalho de Gil Delindro propõe-se contribuir para uma reflexão partilhada sobre a transformação da paisagem florestal, a valorização de espécies autóctones e os modos como nos relacionamos com o território.
A apresentação pública no dia 1 de março será um convite à experiência direta desta nova criação, num encontro entre som, matéria, paisagem e comunidade.
Depois de Gil Delindro, o Fontes Sonoras prossegue na primavera, entre 12 e 19 de Abril, com Matilde Meireles, artista sonora portuguesa cuja prática cruza escuta profunda, composição e investigação sobre memória, território e perceção sonora. No outono, entre 25 de outubro e 1 de novembro, o projeto acolhe Kathy Hinde, artista e compositora britânica cujo trabalho explora fenómenos naturais, sistemas ecológicos e processos colaborativos entre humanos e não-humanos.
À semelhança do ano anterior, o Fontes Sonoras continua a reforçar a dimensão de proximidade com a comunidade local, promovendo momentos de partilha e contacto com práticas contemporâneas de arte sonora, entendidas aqui como ferramentas de escuta ativa, reflexão ecológica e diálogo coletivo.
Fontes Sonoras é uma iniciativa da Omnichord, com curadoria de Raquel Castro e direção artística de Gui Garrido, dedicada à criação artística em diálogo com o território e a comunidade da Aldeia das Fontes, promovendo novas formas de escuta e relação com o ambiente.
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