Oito anos depois de Na Memória dos Rouxinóis, Filipa Martins – que, entretanto, publicou a biografia de Natália Correia, O Dever de Deslumbrar (Contraponto, 2023) – regressa ao romance com um livro cujo título é inspirado em T.S. Eliot, No Meu Fim Está o Meu Começo. Um trabalho de maturidade de uma autora que tem vindo a conquistar prémios desde a sua estreia como escritora. O aguardado regresso à ficção chega às livrarias a 23 de abril, dia em que decorre a sessão de lançamento, agendada para as 18h30, no El Corte Inglés, Lisboa, com apresentação de Gonçalo M. Tavares e leituras de Inês Meneses.
No Meu Fim Está o Meu Começo é um romance sobre a perda de memória, a violência, a família e um país que ignora os que sofrem. Com uma escrita densa, irónica e profundamente corpórea, esta história de Isabel, enfermeira, interroga o que permanece quando o declínio cognitivo da sua mãe a obriga a revisitar a sua própria história.
A infância num bairro periférico, o trabalho precoce, a formação no hospital, o casamento falhado, a maternidade atravessada por tensões raciais e a figura ambígua de um pai ausente emergem como farrapos ainda vivos, nunca totalmente resolvidos. Cuidar torna-se um gesto ambivalente, simultaneamente técnico e afetivo, exercício de sobrevivência e exaustão. A memória materna que se desfaz convoca as estratégias de esquecimento que atravessaram gerações e um país, colocando em causa a ideia de progresso, de redenção e de linearidade do tempo. O fim deixa de significar apenas perda e passa a ser também um lugar de revelação, onde aquilo que parecia enterrado regressa com uma crueza cruel.
Sobre a Autora
Filipa Martins nasceu em Lisboa, em 1983, e é uma premiada escritora, argumentista e realizadora. Autora de vários romances e da aclamada biografia de Natália Correia, O Dever de Deslumbrar (Contraponto, 2023), distinguida como um dos livros do ano, recebeu o Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores pelo seu primeiro romance, Elogio do Passeio Público, e o Prémio Literário Manuel de Boaventura com Na Memória dos Rouxinóis (Quetzal, 2018). Paralelamente ao trabalho literário, desenvolve uma intensa atividade no audiovisual, tendo escrito para cinema e televisão. Foi finalista dos Prémio Sophia da Academia Portuguesa de Cinema, dos Prémios Autores da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e nomeada para o Prix Europa. É ainda autora de adaptações para o grande ecrã de obras de Agustina Bessa-Luís e de Juan Carlos Onetti, Prémio Cervantes. Estreou-se recentemente na realização com a curtametragem The Reminder, premiada internacionalmente, onde explora os temas da memória e do luto cíclico, afirmando-se como uma voz singular e madura no panorama artístico contemporâneo.
