Co-financiado pelo programa Europa Criativa, o projecto Artistic Futures reúne 7 organizações de 6 países europeus e convida compositores, editoras e publishers a co-criarem a solução.
Um novo projeto europeu propõe resolver um dos problemas mais persistentes da indústria musical: as centenas de milhões de euros em royalties que nunca chegam às pessoas que criaram a música.
O projeto Artistic Futures, co-financiado pela União Europeia ao abrigo do programa Europa Criativa, é uma iniciativa de 24 meses para desenvolvimento de uma plataforma com inteligência artificial para ajudar compositores, editoras fonográficas e music publishers independentes a detetar royalties por reclamar, corrigir metadados incorretos ou incompletos e assumir o controlo dos seus direitos além-fronteiras e junto das sociedades de gestão coletiva.
O projeto é liderado pela Unison Rights, a primeira Entidade de Gestão Independente de Espanha licenciada ao abrigo da Diretiva Europeia 2014/26, e reúne um consórcio de especialistas em gestão de direitos, investigadores em IA, publishers e especialistas em distribuição digital de Espanha, Portugal, Estónia, Alemanha, Suécia e Hungria.
A dimensão do problema
Segundo a Fair Trade Music International, até 27% das royalties de música digital a nível global poderão estar retidas nas chamadas "black boxes": receitas que não podem ser distribuídas devido a metadados em falta, incorretos ou fragmentados. Só nos Estados Unidos, o Mechanical Licensing Collective reportou mais de 400 milhões de dólares em royalties por associar num único ano.
Na Europa, o problema é agravado pelos silos de licenciamento nacionais, pela fragmentação linguística e pela infraestrutura digital inconsistente entre os estados-membros. Quando estes royalties ficam por reclamar, são habitualmente redistribuídas pro-rata aos titulares de direitos dominantes, prejudicando desproporcionalmente os criadores independentes.
"Os royalties por reclamar não são uma falha técnica. São uma falha estrutural que tem sido silenciosamente aceite durante demasiado tempo. Os compositores independentes perdem milhões todos os anos, muitas vezes sem o saberem. A Artistic Futures vai trabalhar com criadores, profissionais da indústria e especialistas em tecnologia para melhorar esta situação tanto quanto possível.
Pode não ser possível resolvê-la por completo, mas podemos definitivamente melhorá-la." Jordi Puy, CEO, Unison Rights
Desenvolvida com os artistas
Em vez de desenvolver tecnologia à porta fechada, Artistic Futures adota uma abordagem participativa. O projeto encontra-se atualmente na fase de investigação e co-criação, e convida compositores, editoras e music publishers independentes de toda a Europa a participar nos seus próximos workshops de co-design.
Estas sessões online recolherão contributos diretos de criadores e profissionais de direitos para definir as funcionalidades, a experiência de utilização e as prioridades da plataforma, assegurando que as ferramentas a desenvolver reflitam necessidades reais.
Os compositores e autores interessados em participar podem inscrever-se em artisticfutures.eu ou através dos canais de redes sociais do projeto.
O Próximo Passo: Questionários aos Grupos de Utilizadores
A primeira fase do projeto centra-se na investigação das necessidades dos utilizadores, no mapeamento setorial e em workshops de design participativo que decorrerão até meados de 2026. Seguem-se o desenvolvimento da plataforma e o treino dos modelos de IA, com testes piloto previstos para 2027, envolvendo mais de 300 compositores, autores e publishers independentes em toda a Europa.
O projeto irá também participar em grandes eventos da indústria, incluindo o Reeperbahn, o ESNS, o Primavera PRO e o WOMEX, e irá publicar estudos de política, metodologias e normas técnicas em acesso aberto para o setor em geral.
