quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Nem as joias da Coroa escaparam ao terramoto de 1755



Quando Lisboa foi atingida pelo terramoto de 1755, nem o Tesouro da Coroa portuguesa escapou à destruição. Entre os edifícios que ruíram e as inúmeras perdas provocadas pela catástrofe, desapareceu também uma parte significativa do património régio. Mas o que aconteceu aos objetos preciosos da família real depois daquele dia? Mais de 270 anos depois, o Museu Tesouro Real recupera esta história menos conhecida e convida o público a descobrir como a monarquia reconstruiu e voltou a enriquecer o seu tesouro.

A viagem começa precisamente a 1 de novembro, com a visita especial “Terramoto de Lisboa e o Tesouro Real”. Depois da catástrofe, D. José I transferiu a residência régia para a Ajuda e deu início a uma nova etapa na história do património da Coroa. Entre as joias expostas no terceiro núcleo do Museu e a Baixela Germain, no décimo, o percurso revela como o Tesouro Real se transformou após um dos acontecimentos mais marcantes da história de Lisboa e como algumas das peças que hoje podemos admirar ajudam a contar essa reconstrução.

Mas nem todos os tesouros da realeza tinham grandes dimensões. Alguns cabiam na palma da mão e, apesar do tamanho, diziam muito sobre quem os possuía. É este o ponto de partida de “Tesouros de Bolso”, uma palestra com visita marcada para 7 de novembro, que transporta os participantes até à Paris do século XVIII, onde pequenas caixas para rapé, estojos e outros objetos de luxo eram muito mais do que simples acessórios. Revelavam gostos, modas, estatuto social e até relações diplomáticas.



Conduzida por André Afonso, a sessão parte da caixa para rapé de D. José I, uma das peças emblemáticas do Museu, para explorar o universo dos objetos preciosos que circulavam entre as elites europeias. Pelo caminho, surgem técnicas de ourivesaria, esmaltes pintados e nomes como Jean Ducrollay, Fabergé ou Cartier, numa viagem que cruza peças do Tesouro Real com referências à Coleção Gulbenkian e a outras coleções internacionais. Uma oportunidade para perceber como alguns dos códigos do luxo que hoje conhecemos começaram a ganhar forma há vários séculos.

E porque um museu também pode ser descoberto depois de anoitecer, novembro reserva uma experiência fora do horário habitual. No dia 28, a “Noite Branca” abre as portas do Tesouro Real para uma visita noturna à coleção, seguida de um concerto do Carreiro-Williams Guitar Duo. Formado pelos guitarristas José Carlos Carreiro e Torrin Williams, o duo apresenta um espetáculo de música de câmara que transforma a visita ao Museu numa experiência diferente, entre peças históricas e música ao vivo.

O mês termina já com o espírito natalício. A 29 de novembro, a oficina “Joias para a árvore de Natal” convida as famílias a descobrir como era celebrado o Natal na corte portuguesa. Havia árvore de Natal? Quem a decorava? E como chegou esta tradição à família real? As respostas passam por D. Fernando II, que decorava a árvore com os filhos na véspera de Natal. Depois de conhecerem esta história e visitarem a coleção, crianças e adultos podem criar as suas próprias joias para decorar a sua própria árvore.

Ao longo do mês, mantêm-se também as visitas orientadas regulares à coleção permanente, em português e inglês, com diferentes datas e horários. Sob gestão da Associação Turismo de Lisboa, o Museu Tesouro Real encontra-se aberto diariamente, entre as 10h00 e as 19h00, com última entrada às 18h00.