A Quetzal Editores fez chegar às livrarias um dos romances mais divertidos e maravilhosos do grande mestre galego, Gonzalo Torrente Ballester. Fragmentos de Apocalipse é a prova de que a literatura nos transforma em personagens dos romances que lemos. «Eu nunca consegui disciplinar a minha imaginação e a minha fantasia», escreve o autor no prólogo esta edição, traduzida por António Gonçalves.
Não há romance tão estapafúrdio e delirante. Nem tão apocalíptico. Em Fragmentos de Apocalipse, Gonzalo Torrente Ballester oferece-nos uma visão amorosa, crítica, mordaz e divertida dos habitantes de Villasanta de la Estrella, cidade que pode ser vista como uma recriação romanesca de Santiago de Compostela. O escritor transforma-se em protagonista, herói, vítima, leitor, espectador e ator principal – tudo à medida das suas conveniências – e mostra-nos as possíveis formas de composição do próprio romance. Entrevistando as personagens (e revelando as suas favoritas) e voltando atrás quantas vezes lhe apetece.
Pelo meio, assistimos a uma história de província onde alternam o real e o mágico, o humor e o sonho, a ironia e o amor, a melancolia galega e um erotismo paradoxal, tudo para nosso deleite intelectual, diversão e divertimento. Acompanhamos a vida de um bando anarquista que joga às cartas com o bispo, as deambulações de um arquiteto que viaja no tempo, um arcebispo capaz de voar, dragões, fantasmas de Cavaleiros Templários, a chegada de Sitting Bull, viagens astrais, um labirinto, a aparição do Dr. Moriarty, bonecas sexuais, a vida diária de um grupo de historiadores e amantes da cidade – mas também uma invasão viking, uma professora russa que sabe demais e a ressurreição de uma princesa adormecida. Como num apocalipse imprevisível.
Sobre o Autor
Gonzalo Torrente Ballester (El Ferrol, 1910-Salamanca, 1999) é um autor fundamental da literatura espanhola contemporânea. Estudou Filosofia e Letras na Universidade de Santiago (onde foi professor de Literatura a partir de 1940) e Direito nas Universidades de Santiago, Oviedo e Madrid. Dedicou quase toda a sua vida ao ensino e à literatura, em Espanha ou nos EUA (em Albany, NY). Dramaturgo, ensaísta, crítico e romancista, Torrente Ballester recebeu, entre muitos outros, os prémios Cidade de Barcelona, da Crítica, da Fundação March, Planeta, Nacional de Literatura, Príncipe das Astúrias em 1982 e o Miguel de Cervantes em 1985. Entre as suas obras mais importantes contam-se A Saga/Fuga de J.B. (1972), Filomeno (1988), A Ilha dos Jacintos Cortados (1981), Crónica do Rei Pasmado (1989), Fragmentos de Apocalipse (1977) ou a trilogia Os Prazeres e as Sombras e ainda A Morte do Decano.
