A Electra inicia 2026 com uma pergunta essencial: o que revela a cor sobre nós e sobre o tempo e espaço que habitamos? No número 31, o dossier mergulha num dos fenómenos mais antigos e enigmáticos da experiência humana. A cor impõe-se ao olhar, atravessa práticas, geografias, discursos e cronologias, surge neste dossier como presença, como omissão e como signo.
O dossier explora através de contributos de Michel Pastoureau, Elena Manferdini, Andrea Cavalletti, Anna Lafont, Ricardo Vieira Lisboa, David Kastan e António Guerreio o que a cor diz sobre a natureza humana, sobre os tempos que vivemos e sobre as formas de ver e interpretar o mundo. A pluralidade de leituras dá corpo a um pensamento plural sobre a cor enquanto linguagem e campo de uma disputa entre o visível e o invisível.
Essa pluralidade estende-se a Tamar Garb, a reconhecida curadora e historiadora de arte, e feminista, que é entrevistada por Afonso Dias Ramos para a secção “Primeira Pessoa”. Nesta conversa, realizada em Lisboa, Garb reflete sobre as múltiplas geografias que traçaram a sua vida e trabalho, da Cidade do Cabo até Paris e Londres, e o desafio de encarar a cultura em África e na Europa de outras formas, em tempos de grande tensão e instabilidade política.
O número apresenta ainda desenhos inéditos de Henri Michaux, figura central da vida intelectual europeia do século XX. Escritor, poeta e artista visual, Michaux atravessou constantemente fronteiras entre disciplinas, linguagens, géneros e estados de consciência.
Na secção “Portfolio”, os curadores João Mourão e Luís Silva apresentam o trabalho de uma das artistas com maior projeção internacional, Sonia Gomes, que intervém e recria um livro guiado pela sua imaginação e sabedoria. A edição assinala ainda o centenário de Marilyn Monroe com um ensaio de Mario Pezzella, sobre a construção simbólica da atriz, entre a inocência e a culpa, entre o rosto desejado e o rosto imposto, entre a época que a moldou e o imaginário que dela fez um mito.
Este número inclui ainda reflexões que cruzam arquitectura, literatura, filosofia e arte, com textos de Neil Leach, Kaya Genç, Jorge Martins, Jeremy Fernando e Damiano Palano.
A primeira Electra de 2026 questiona qual, afinal, a cor do nosso tempo. A cor está em todo o lado, mas questiona o que vemos quando vemos, na realidade, A cor.
Sobre a Electra
A Electra é uma revista de pensamento e cultura contemporânea, publicada pela Fundação EDP. Com duas edições, em português e em inglês, tem periodicidade trimestral. Pode ainda ser acompanhada no Instagram, em @electra.magazine, e no website electramagazine.com.
