O Auditório do Casino Estoril estreia, no próximo dia 27 de março, a partir das 21 horas, "Balas e Purpurinas - O Lado B da Eurovision". Trata-se de um espectáculo de Henrique Feist que propõe uma viagem pela história do Festival, desvendando ao público o outro lado da Eurovisão. Com direcção musical do maestro Nuno Feist, o ciclo de representações prolonga-se até 3 de maio.
“Como é sabido, mais uma vez o mundo está em guerra. O mais triste é que o mundo sempre esteve em guerra. Entre vários palcos que vão do desporto à música, há um que, desde 1956, tem ajudado a decifrar, mudar, vingar, perdoar, picar, alimentar a Europa – o palco da Eurovisão. Modo geral, o comum dos mortais vê a Eurovisão como um belíssimo programa de entretenimento musical, um abraçar entre povos e culturas. É isso. Mas...é muito mais”, refere Henrique Feist.
“O palco da Eurovisão foi sempre decisivo na história da própria Europa. Era e é um palco onde se limpam armas e se fazem ajuste de contas. Ou onde se prevê o futuro. A própria Eurovisão pré queda do muro de Berlim era uma coisa. Pós queda do muro com a introdução da Europa do Leste no certame, tornou-se outra. Nenhuma vitória foi à toa. Por trás de cada purpurina, de cada lantejoula, há sempre uma bala”.
“Uma cantora irlandesa ameaçada de morte pelo IRA se concorresse...o massacre nos Jogos Olímpicos de Munique e a vitória de Israel no ano a seguir...a vitória de Itália com o tema “Insieme Unite Europe” no início do anos 90...o Eduardo Nascimento com o tema “O Vento Mudou” ter sido uma jogada política de Salazar para mostrar à Europa que não era racista...a vitória de Espanha nos anos 60 ter sido a mando do regime do Franco...países do Leste que prenderam civis por terem votado em países do Ocidente...países que interrompiam a emissão aquando o anúncio da vitória de um outro país com quem estivessem em conflito...há tantas, mas tantas histórias que só ilustram o palco POLÍTICO que é e será sempre a Eurovisão. Basta ver, até para ser mais simples, o momento das votações...quem vota em quem. No entanto, houve exceções ... e claras. Onde só a música, só a melodia na sua simplicidade e beleza triunfaram. Onde mais nada importava. Onde a Europa só deixava ouvir notas musicais. Salvador Sobral é um claro exemplo disso”.
“O espectáculo tem uma mensagem moral – a constante procura da paz. E como a união entre os povos é que deve ser sempre o nosso estímulo. E a cultura deve sempre unir as pessoas. Paz”, conclui Henrique Feist.