sexta-feira, 21 de março de 2025

Quatro homens e um historiador que homenageia na História e memória o 25 de Abril



Em Quatro Personagens à Procura de Abril, Luís Reis Torgal combinou a proximidade aos quatro protagonistas deste livro com a experiência de ter sido militar enviado para a guerra na Guiné e ainda com a objetividade de historiador. A obra é também uma homenagem à Revolução de 1974 no seu 50.º aniversário.

«A História, apesar da sua perturbação memorial, é um estudo objetivo que pretende ultrapassar a Memória. Espera-se que este livro as distinga, ainda que saibamos que elas vivem sempre em constante ligação e desafio», escreve Luís Reis Torgal.

Abril tem uma amplitude mais larga e mais profunda do que 25 de Abril, a data de uma revolução de fundamental importância, liquidatária do Estado autoritário de Salazar que se prolongou teimosamente com Marcello Caetano. Significa um desejo sucessivamente adiado de Democratização, paralelo a uma certa ânsia de Descolonização ou, pelo menos, de fim da guerra.

As personagens escolhidas são quatro mas podiam ser quarenta ou quatrocentas… Apenas foram selecionadas pela memória do autor que pertenceu à "geração D" (para empregar a expressão de um militar de Abril), ou seja, do tempo da Ditadura, com combates pela Liberdade, e da Democracia, nunca concluída.

São personagens reais mas simbólicas com que o autor contactou como leitor, como cidadão ou como militar, que o foi, obrigatoriamente, na “Metrópole” e na Guiné. Uma que se insere no domínio da literatura mas também da política (Sttau Monteiro), outra da política mas também da cultura (Santos Simões), outra da religião mas também da política (Mário de Oliveira) e, finalmente, uma última, na área militar, em que o autor já sentiu, com todas as contradições da época (anos 60, da “Guerra Colonial”), o pulsar de Abril, e que seguiu depois nos caminhos tortuosos e infindáveis da Descolonização e da construção da Democracia (Carlos Fabião).

São personalidades por vezes esquecidas ou só episodicamente lembradas, porque acompanharam a vitória de Abril, mas também foram, de modo diferente em cada caso, vencidas, pelos princípios que assumiram, pelo seu carácter e temperamento, pelas circunstâncias e pelo tempo.

Sobre o Autor

Luís Reis Torgal, professor catedrático aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foi fundador do Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra – CEIS20. É Sócio Honorário da Academia Portuguesa da História. Foi professor convidado de várias universidades, escolas superiores e instituições de cultura, entre outras: em França, onde foi directeur d'études invité da École des Hautes Études em Sciences Sociales, de Paris; na Inglaterra, em que foi visiting professor da British Academy na University of Birmingham; no Japão, na University of Foreign Studies de Quioto; e no Brasil, em que é doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem-se dedicado a diversos temas desde o século XVII ao século XX, especialmente no âmbito da História Política e das Ideias, da História da Universidade, da História da História e da Teoria da História. Recebeu vários prémios e foi-lhe concedida, em 2016, a medalha de Mérito em Ciência pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Na Temas e Debates, publicou: O Liberalismo (coord.), vol. 5 da História de Portugal, dirigida por José Mattoso; História da História em Portugal (em colaboração); António José de Almeida e a República (em colaboração); O Cinema sob o Olhar de Salazar (coord.); História… Que História? Notas críticas de um historiador; Essa Palavra Liberdade… Revolução liberal e contrarrevolução absolutista (1820-1834); Brandos Costumes…. O Estado Novo, a PIDE e os Intelectuais (coord.); e Vigias da Inquisição, distinguido em 2024 com o Prémio Joaquim Veríssimo Serrão, da Academia Portuguesa da História – Fundação Eng.º António de Almeida. Cumpriu o serviço militar obrigatório, tendo estado na Guiné em 1968-69, uma das razões que o motivou a escrever este livro.