quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Outras histórias, outros olhares: novos programas anunciados no Porto/Post/Doc 2026



Entre 19 e 28 de novembro, o Porto/Post/Doc regressa à cidade para a sua 13.ª edição, reunindo cinema contemporâneo, retrospectivas, encontros e programas que aproximam o cinema de outras práticas artísticas e territórios de criação. A programação deste ano continua agora a revelar-se com quatro novos focos: um programa dedicado ao trabalho de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, realizado em parceria com a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa; Another Story, que recupera a obra de realizadoras do século XX; uma nova edição da bolsa Working Class Heroes, com Ivo M. Ferreira, Marta Popivoda e Nuno Boaventura Miranda; e um foco na obra do cineasta finlandês Jan Ijäs.

Em parceria com a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, o festival apresenta Trabalho s, programa dedicado a Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, dupla que tem construído uma obra singular no cruzamento entre cinema, performance e artes visuais. A sessão reúne "RISE" (2018), "One Hundred Steps" (2020) e "Swinguerra" (2019), três filmes que trabalham com corpos, comunidades e territórios habitualmente afastados das estruturas dominantes de representação. O programa inclui ainda o lançamento de “Trabalho s / Work s”, publicação editada pela Escola das Artes, em parceria com a UCP Press e a Documenta, que documenta e reflete sobre os métodos de trabalho dos dois artistas. 

O programa Another Story recupera três obras de realizadoras do século XX cuja importância foi, durante décadas, secundarizada ou esquecida. “Canção de Embalar” (1981), de Binka Zhelyazkova, “Donna: Mulheres em Revolta” (1980), de Yvonne Scholten, e “O Telhado” (1961), de Věra Chytilová, foram realizados em contextos políticos e cinematográficos distintos, mas aproximam-se pela atenção às experiências das mulheres, às relações entre vida íntima e estruturas de poder e à procura de formas capazes de tornar visíveis vozes que permaneceram à margem. O programa integra um projeto europeu desenvolvido entre HER Docs, Festival dei Popoli, Doxumentale, Sofia DocuMental, Cineuropa e Loreley Films, que procura reabrir a história do cinema e reconhecer o legado de realizadoras pioneiras.

A cidade do Porto volta também a ser matéria de criação no Working Class Heroes. Ivo M. Ferreira, Marta Popivoda e Nuno Boaventura Miranda são os três cineastas convidados da edição de 2026, que os desafia a imaginar novos projetos cinematográficos a partir da cidade, das suas comunidades, histórias e transformações. Desenvolvido em parceria com a Filmaporto – Porto Film Commission e com o apoio da Fundação “la Caixa”, através da plataforma CaixaForum+, o programa atribui uma bolsa de 75 mil euros a um dos três projetos, escolhido por um júri internacional, para desenvolvimento e produção ao longo de dois anos e posterior estreia mundial no Porto/Post/Doc.

O festival dedica ainda um programa ao cineasta finlandês Jan Ijäs, cuja obra ensaística observa fenómenos quotidianos para revelar as contradições políticas, sociais e materiais que neles se escondem. Com uma obra que integra cerca de 30 curtas-metragens e uma longa documental, muitas delas rodadas em 16 mm e 35 mm, Ijäs tem abordado temas como o desperdício, a tecnologia, a migração, a violência e as formas como observamos o sofrimento dos outros, recorrendo frequentemente à narração em voz-off e a uma linguagem marcada pela contenção irónica e crítica. Dividido em duas partes, o programa é apresentado no âmbito do intercâmbio Cinéstesia, do Espoo Ciné.

Estes quatro programas juntam-se à programação já anunciada da 13.ª edição do Porto/Post/Doc, que decorrerá de 19 a 28 de novembro, em vários espaços da cidade do Porto. 

Sete mulheres que ousaram mudar o pensamento político do século XX



Sensivelmente metade da população, as mulheres, tem sido tratada como se de uma minoria se tratasse. Apenas há pouco mais de um século adquiriu o direito à vida pública e ao saber técnico. Neste livro, Mariana Dimópulos não nos traz um elogio ao feminismo, mas sim a vida e obra de sete mulheres que, ao longo do século XX, pensaram a sociedade deixando a sua marca na filosofia e na política. «Este livro relata uma história que, até hoje, se pauta pela invisibilidade: a de uma tradição contemporânea na filosofia escrita por mulheres.».

A autora faz uma análise brilhante da forma como as pensadoras do século XX refletiram sobre a liberdade e a justiça e como revolucionaram os fundamentos do pensamento político moderno. Numa perspicaz viagem histórica e filosófica, evidencia uma tradição intelectual que nos revela não apenas a capacidade das mulheres para o pensamento político, mas também o seu impacto na filosofia moderna.

«Ainda que este não seja um livro sobre lutas feministas, não deixa de retratar um dos seus efeitos mais patentes: a capacitação social e material das mulheres para o pensamento político», escreve a autora. «Estamos, em suma, diante de uma fase de inédita prosperidade na história de metade da humanidade e o seu resultado último: o recurso, por parte das mulheres, à prerrogativa masculina sobre o pensamento abstrato para entender a vida em comunidade.»

Mariana Dimópulos guia-nos pela vida e obra de sete pensadoras fundamentais do século XX — Rosa Luxemburgo, Simone Weil, Simone de Beauvoir, Hannah Arendt, Iris Murdoch, Ágnes Heller e Judith Butler — que, tanto pelas suas experiências pessoais como pelo seu compromisso político e intelectual, fizeram ouvir a sua voz para questionar as formas de poder e os conceitos universais tradicionais.

«A relação entre estas pensadoras não assume um carácter unicamente conceptual, ou seja, não se articula unicamente em torno do problema comum do sujeito político e suas diversas manifestações. A todas elas subjaz, adicionalmente, uma rede de referências», escreve Mariana Dimópulos. «Esta teia torna-se evidente em pelo menos dois sentidos: todas elas leram e criticaram os mesmos autores, sobretudo da tradição filosófica alemã e francesa, e todas se leram mutuamente.» Algumas foram contemporâneas e chegaram a coincidir também no espaço em cidades como Paris e Nova Iorque. Hannah Arendt e Simone Weil aguardaram ambas em Marselha em 1940 para deixar a Europa em fuga dos avanços do exército alemão. «Simone de Beauvoir e Simone Weil encontraram-se nos corredores da universidade e conversaram uma vez, mas os seus caminhos nunca mais voltaram a cruzar-se. Murdoch viu uma vez Beauvoir num café de Paris, mas não se atreveu a falar-lhe.»

Combinando história, biografia e filosofia, este livro revela-nos as contribuições decisivas destas mulheres que transformaram a filosofia política da sua época e apresenta-nos novos caminhos de reflexão sobre o presente. 

Sobre a Autora

Mariana Dimópulos é uma escritora, tradutora e docente nascida em Buenos Aires e residente em Berlim. Doutorada em Filosofia, especializou-se na tradição alemã e na obra de Walter Benjamin. Ministrou seminários de licenciatura e pós-graduação na Universidade de Buenos Aires e, na qualidade de docente convidada, lecionou na Universidade do Sarre e na Universidade de Halle-Wittenberg (Alemanha).  É autora dos romances Anís (2008), Cada despedida (2010), Pendiente (2013) e Quemar el cielo (2019, finalista do Prémio Medifé Filba), bem como dos ensaios Carrusel Benjamin (2017), Decir el mundo. Una introducción a la filosofía del lenguaje (2025) e Don de lenguas (2025), este último escrito em colaboração com J. M. Coetzee.

D. Manuel Clemente apresenta Deus e a Ciência, de Carlos Fiolhais, no El Corte Inglés



Será a ciência capaz de dizer a última palavra sobre Deus? E fará sentido procurar Deus nas equações, no ADN, no Big Bang ou nas partículas elementares?

D. Manuel Clemente apresenta na próxima segunda-feira, 19 de outubro, às 18h30, na Sala de âmbito Cultural do El Corte Inglés de Lisboa, "Deus e a Ciência - Diálogos para a Salvação do Mundo", do físico Carlos Fiolhais, que analisa disputas religiosas na história da ciência e o papel da Igreja na história da ciência em Portugal, da revolução científica do padre António Vieira ao Papa Português, passando pela expulsão dos Jesuítas até ao  "milagre do sol". 

Será a ciência capaz de dizer a última palavra sobre Deus? E fará sentido procurar Deus nas equações, no ADN, no Big Bang ou nas partículas elementares? Ou estaremos perante domínios diferentes, com perguntas distintas e linguagens independentes? 

Carlos Fiolhais conduz, pois, o leitor através de uma das mais decisivas inquietações da condição humana: como articular o que a ciência revela sobre o mundo com a dimensão transcendente da nossa existência. Com a clareza de um grande divulgador e a autoridade de um dos mais respeitados físicos portugueses, convoca Darwin, Einstein, Hawking e muitos outros para iluminar um debate onde se cruzam cosmologia, biologia, filosofia e religião.

Combinando rigor histórico, precisão científica e grande capacidade de comunicação, oferece ao leitor um percurso exigente, mas acessível, em que cada capítulo abre novas perguntas e convida a rever certezas. Um livro para quem não se contenta com respostas fáceis e quer  pensar o que significa ser humano num Universo que a ciência procura explicar.

Fiolhais tem mantido, ao longo de décadas, diálogos públicos com crentes e não crentes, incluindo figuras centrais da Igreja Católica como os cardeais Tolentino  Mendonça e D. Manuel Clemente. Esses encontros, em que ciência, fé e cultura se cruzam, estão na origem de muitas das perguntas que animam Deus e a Ciência.

«Há quem pergunte com inteira legitimidade: o que existia antes do instante inicial do Big Bang? O que havia antes de haver partículas de energia e de matéria no espaço-tempo? Será que existia Deus, como defendia Santo Agostinho, fora do espaço e antes do tempo? Para muitas pessoas é necessário um Deus Criador. Acreditam num Deus que tudo possibilitou. Para outras bastam, a respeito do mundo material, as respostas que a ciência consegue dar. É lícito perguntar, mas não podemos saber. No início do mundo, estamos no fim da nossa física.» 

Sobre o Autor

Carlos Fiolhais (1956) é físico e um dos mais reconhecidos divulgadores de ciência em Portugal. Professor catedrático emérito da Universidade de Coimbra, doutorou-se em Física Teórica pela Universidade Goethe, em Frankfurt. Em 2005, recebeu o Globo de Ouro de Mérito e Excelência em Ciência da SIC e foi distinguido pelo Presidente da República com a Ordem do Infante D. Henrique, grau de Grande-Oficial. Autor de dezenas de livros de divulgação científica, publica pela primeira vez na Dom Quixote com Deus e a Ciência. Serão Deus e ciência inconciliáveis? O físico português Carlos Fiolhais dá a sua opinião sobre esta questão controversa que está em debate há vários séculos.

Campanha de sensibilização para a segurança digital na infância já disponível em todas as plataformas digitais



“Digo Não” é o novo projeto de sensibilização dirigido a crianças dos 5 aos 10 anos que transforma a prevenção no mundo digital numa mensagem que se ouve, canta, dança e memoriza. O single e videoclipe contam com a participação do Coro Infantil e Juvenil de Pevidém e da BW Crew.

Num mundo em que os ecrãs e os dispositivos digitais fazem cada vez mais parte do quotidiano das crianças, é são uma das maiores preocupações de pais e educadores, surge “Digo Não”, uma campanha portuguesa de sensibilização e prevenção digital dirigida especificamente aos mais novos, entre os 5 e os 10 anos. Criado por Daniella Starfield, autora e intérprete da música, o projeto encontra na arte uma forma próxima e acessível de falar com as crianças sobre os desafios do mundo digital, dando-lhes ferramentas para se protegerem sem lhes incutir medo.



“Digo Não” parte de uma ideia simples: a melhor proteção digital não passa pelo medo, mas pela capacidade de a criança reconhecer situações, dizer não, pedir ajuda e confiar em quem a protege. A campanha assenta em quatro mensagens fundamentais: “Eu sei dizer não. Eu peço ajuda. Eu penso antes de partilhar. Eu confio em quem me protege”, que dão forma à própria letra da música e transformam princípios de prevenção em frases simples, fáceis de compreender e memorizar.

A música torna-se, assim, o veículo central da campanha. Mais do que acompanhar uma mensagem de sensibilização, a própria canção ensina comportamentos de proteção digital, permitindo que estes sejam assimilados através de uma experiência que faz parte do universo das crianças: ouvir, cantar, dançar e repetir.

“A arte está na minha essência e está presente em tudo o que faço. Quando pensei nesta campanha, não queria falar com as crianças através do medo, mas através da voz delas. Queria criar uma mensagem que lhes desse ferramentas para dizer não, pedir ajuda, pensar antes de partilhar e confiar em quem as protege. A música surgiu naturalmente e tornou-se a forma de transformar estes princípios numa experiência que uma criança pode ouvir, cantar, dançar e guardar na memória. Foi assim que nasceu o “Digo Não””, explica Daniella Starfield.

O projeto ganha uma dimensão visual através de um videoclipe que junta a artista a crianças do Coro Infantil e Juvenil de Pevidém e aos bailarinos da BW Crew, numa criação que cruza música, movimento e sensibilização. Com direção de Andreia Barbosa, direção criativa da Agência Saywe e produção da Feat.Films, o vídeo assume uma linguagem infantil, mantendo uma forte dimensão artística e humana, dando vida à mensagem através de pessoas reais.



“Digo Não” terá também uma versão em português do Brasil, interpretada pela cantora brasileira Aline Araújo. A colaboração permite estender o projeto ao público brasileiro, alargando o alcance da mensagem.

Para além do single, o projeto estende-se às escolas e comunidades educativas através de um workshop: “Protejo-me”. Acompanhado por um kit pedagógico, levará a mensagem e permitirá a professores e educadores trabalhar os conteúdos de forma autónoma e prolongar a sensibilização para além da música.

Dirigido a uma faixa etária particularmente importante no desenvolvimento da literacia digital, “Digo Não” procura responder a uma necessidade concreta: preparar as crianças para um mundo cada vez mais digital, não através da imposição do medo, mas dando-lhes voz, confiança e ferramentas para agir.
Porque saber dizer “não”, pedir ajuda, pensar antes de partilhar e saber em quem confiar também se aprende.

Galeria de Arte do Casino Estoril inaugura a 40ª edição do Salão de Outono



A Galeria de Arte do Casino Estoril inaugura, no próximo dia 24 de outubro, às 17 horas, o 40º Salão de Outono. Participam nesta emblemática exposição colectiva de Pintura e Escultura alguns dos mais conceituados artistas plásticos contemporâneos. A entrada é gratuita.

A 40ª edição do Salão de Outono reúne obras nas modalidades de Pintura e Escultura da autoria de 27 artistas plásticos que habitualmente expõem na Galeria de Arte do Casino Estoril. 



Participam os seguintes 20 pintores e 7 escultores
Pintura – Alfredo Luz, Branislav Mihajlovic, Cohen Fusé, David Levy Lima, Diogo Navarro, Fernando Gaspar, Filipa Oliveira Antunes, Gustavo Fernandes, Inês Galvão, João Feijó, Joaquim Canotilho, Jorge Cruz, José Grazina, Maramgoní, Mariola Landowska, Nadir Afonso, Patel Rebelo, Paulo Ossião, Pedro Castanheira e Rui Carruço.



Escultura - Abílio Febra, Carlos Ramos, Filipe Curado, Jorge Pé-Curto, Marius Moraru, Ricardo Gigante e Rogério Timóteo.

Para o caminhante, tudo é caminho.Para os cães, também



«Não será uma lição sobre Deus, não sou teóloga. Não será uma lição sobre o saber, não sou filosófica. Nem sequer sou uma treinadora de cães […] mas pareceu-me ter vislumbrado a Vida na vida graças à presença de um cão e pareceu-me justo partilhá-lo convosco.» Na História de Um Cão Que Fala de Deus, a psicoterapeuta italiana Marta Monfrinotti convida-nos a entrar no seu Alfa Romeu 147 em segunda mão e desfrutar de uma viagem transformadora onde vai conhecer Ruth, uma cadelinha preta e castanha que a aproxima ainda mais da fé.

No início, a ideia seria ir a Zagarolo «só ver» três crias que estavam para adoção, mas rapidamente transformou-se numa peregrinação que lhe mudou a vida e Marta terá de se esforçar para ganhar a confiança do animal. Afinal escolheu a mais tímida das irmãs. Certamente não foi por acaso. Seguem-se quilómetros de bosques e betão, que vão fortalecendo a relação de ambas. Passeios em que Ruth mostrará a Marta o caminho para pequenos e ocultos sinais de Vida.

Das lições que aprende com a sua companheira de jornada, Marta retira dez lições sobre a existência, o amor, a amizade e a relação com Deus que dão título a cada um dos dez capítulos do livro que agora se apresenta. «Não são lições que eu tenha vivido e assimilado de uma vez por todas. Pelo contrário, devem ser cultivadas todos os dias, a cada momento e, sinceramente, nem sempre consigo. Felizmente tenho uma cadela que me recorda onde estou e quem sou.»

Ruth não lhe fala dos segredos do Jardim do Éden, mas de ternura, benevolência, paciência e lealdade. Há algo que toque mais a santidade do que esta nobreza de espírito? Bem dizia Camilo Castelo Branco que se o Céu estivesse a concurso, o Homem teria forte concorrência no cão.

Um livro comovente que nos diz que a felicidade autêntica está nas pequenas coisas, História de Um Cão Que Fala de Deus, já se encontra na rede livreira nacional, com a chancela da Editora Pergaminho e tradução de Igor Lobão.

Sobre a Autora

Marta Monfrinotti nasceu em Roma. Um encontro casual aos 17 anos fê-la aproximar-se da fé. Antes de se formar em Psicologia pela Universidade La Sapienza, fez trabalho de missão no Cazaquistão. Trabalha como psicoterapeuta, como consultora vocacional numa escola profissional e na associação que cofundou, Venite Benedetti, um espaço de encontro e partilha que convida à descoberta da vocação.

Estreias de cinema de 15 de Outubro de 2026



Esta semana dentre as várias estreias de cinema nas salas nacionais o "Cultura e não Só" destaca as seguintes:



O Pecado Mora em Cima

Pedro e Inês são um casal de portugueses que vive o amor e o sexo de forma descomplexada. No apartamento por baixo do deles, vivem os brasileiros Iara e Lusa, um casal mais velho que, bastante a contragosto, começa a ouvir sons que lhes despertam a curiosidade, mas também suscitam muitas inseguranças em relação à sua própria vida conjugal.

Quando, um dia, os quatro se juntam para um jantar, o que começa como um encontro descontraído rapidamente se transforma em algo bastante desconfortável. Observar de perto a química entre Pedro e Inês acaba por realçar as fragilidades do relacionamento de Iara e Lusa. Com o avançar da noite, a conversa envereda por temas cada vez mais íntimos, até culminar numa proposta inesperada: troca de casais e sexo em grupo. 

Entre a comédia de costumes e de desconforto, “O Pecado Mora em Cima” é a adaptação luso-brasileira de “Sentimental”, em que o espanhol Cesc Gay levou ao grande ecrã a sua própria peça de teatro e que foi também adaptado por Olivia Wilde no bem-sucedido “O Convite” (2026).

Realizado por Rui Pedro Sousa (“Revolução (Sem) Sangue”) segundo um argumento de Edson Athayde, o filme reúne Pedro Carvalho, Inês Aires Pereira, Marisa Orth e Miguel Falabella. 



The Money Maker - O Falsificador

Depois de se refugiar em França durante a Segunda Grande Guerra, Jan Bojarski, um jovem engenheiro polaco, usa as suas habilidades para fabricar documentos falsos para a Resistência francesa e salvar inúmeras pessoas. Terminada a guerra, a falta de registo civil força-o a uma vida remediada, sobrevivendo à custa de pequenos trabalhos. Até ser abordado por um conhecido que, sabendo do seu talento e da precisão dos documentos que falsificou, lhe propõe um novo negócio: fabricar notas falsas.
Bojarski aceita e inicia uma vida dupla, escondendo da mulher e dos filhos as suas actividades ilícitas. Enquanto aperfeiçoa cada vez mais as falsificações, é perseguido por André Mattei, um comissário da polícia cuja maior obsessão é encontrar o “Cézanne do dinheiro falso”. Durante anos, os dois ficam ligados por uma espécie de jogo do gato e do rato, em que o engenho de um é posto à prova pela persistência do outro.

Inspirado numa história verídica, este drama policial foi realizado por Jean-Paul Salomé (“Arsène Lupin - O Ladrão Sedutor”, “Agente Haxe”, “A Sindicalista”), com um argumento seu e de Bastien Daret. No elenco estão Reda Kateb, Sara Giraudeau, Bastien Bouillon e Pierre Lottin.



Histórias Paralelas

Em busca de inspiração para o seu novo romance, Sylvie passa os dias atenta aos vizinhos que vivem no prédio em frente ao seu, no centro de Paris. A partir do que vê através da janela, começa a imaginar as suas vidas, os seus segredos e as relações que mantêm entre si. Um dia, Sylvie contrata Adam para a ajudar nas tarefas do dia-a-dia. Não tarda até que este se aperceba de que ela observa os vizinhos e inventa histórias a partir do que vê. Intrigado com o que Sylvie escreveu, decide abordar Nita, uma das vizinhas, e mostrar-lhe o rascunho, fazendo-a crer que é ele o autor. A partir desse momento, a ficção começa a interferir na realidade: o que ela imaginou leva Adam a agir, acabando por alterar a vida dos vizinhos e, por consequência, a forma como a escritora os observa e continua a construção da história.

Um drama que cruza realidade e ficção, realizado pelo iraniano Asghar Farhadi (“Uma Separação”, “O Cliente”, “Um Herói”), com argumento escrito em colaboração com o irmão, Saeed Farhadi, e inspirado no filme “A Short Film About Love” (1988), de Krzysztof Kieślowski. Em competição no Festival de Cannes de 2026, conta com um elenco de peso, encabeçado por Isabelle Huppert, Virginie Efira, Vincent Cassel, Pierre Niney e Adam Bessa, e inclui ainda a participação de Catherine Deneuve.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Quem somos e de onde vimos?



Embora os seres humanos apresentem uma enorme similaridade com outras espécies animais do planeta, destacam-se por uma extraordinária singularidade naquilo que são e naquilo que fazem. No livro Estranhamente Humanos, Paulo Gama Mota, professor de evolução, biologia do comportamento e antropologia evolutiva, reflete sobre este «primata sofisticado e complexo […] capaz de se interrogar e interrogar o mundo».

Porque somos tão faladores? O que é a beleza? Porque envelhecemos? Como nos lembramos das coisas? Porque gostamos de sexo? Somos mesmo muito cooperativos? E isso decorre da ética? Embora à primeira vista não pareça, estas questões podem ser analisadas e explicadas à luz dos conhecimentos da biologia moderna e da evolução. É isso que o autor faz nos nove capítulos desta obra.

O resultado? Um texto que cruza biologia, história e cultura e que nos intriga a cada resposta. Por exemplo, sabia que somos inteligentes e «faladores» porque somos bípedes? Explica o autor que «a libertação dos membros anteriores possibilitou a evolução de uma mão com notável destreza, capaz de movimentos muito precisos e de talvez tudo o que lhe seguiu. Há várias teorias que ligam precisamente a evolução dessa mão à do cérebero e mesmo da linguagem.»

Um livro essencial para compreender o que é isto de se ser humano, Estranhamente Humanos – Histórias de Evolução, Biologia e Cultura, estará disponível na rede livreira nacional no dia 15 de outubro. 

Sobre o Autor

Paulo Gama Mota, biólogo, professor da Universidade de Coimbra, onde leciona matérias de evolução, biologia do comportamento e antropologia evolutiva, investigador do CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, presidente da Sociedade Portuguesa de Etologia entre 2013 e 2023, publicou muitas dezenas de artigos científicos e vários livros de investigação e orientou dezenas de teses de Doutoramento e de Mestrado. Manteve sempre um grande interesse pela divulgação científica, tendo presidido ao Museu Antropológico da Universidade de Coimbra, ao Museu Nacional da Ciência e da Técnica e ao muito premiado Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, de cujo projeto foi responsável e diretor, da sua abertura, em 2006, até 2015. 

A última etapa do CNP Portugal 2026 decorre no Casino Estoril



O Casino Estoril recebe, de 27 de outubro a 1 de novembro, a última etapa do Circuito Nacional de Poker Portugal 2026. Centenas de jogadores participarão no extenso programa do CNP que se prolonga durante seis dias e inclui 13 eventos: 11 torneios e 2 satélites.

As cartas começam a ser distribuídas no dia 27, com o torneio Bem-vindo. No dia 28, entra em jogo o High Roller de 1.100 €. A partir de quinta-feira, dia 29, é a vez do Main Event CNP Estoril de 550 €, São 2 dias de entrada nos dias 29 e 30, podendo ainda entrar no início do dia 2 que será dia 31 de outubro. Contamos com uma mesa final que promete emoção até à última mão. 

Com um diversificado programa, há, ainda, lugar para o Mystery Bounty, Mini CNP, O Caçador, Super Turbos e o Torneio de Encerramento. 

E, para quem não puder estar nas mesas, o dia 2 e o dia 3 do Main Event terão transmissão em directo.



Casino Estoril, de 27 de outubro a 1 de novembro  com o Live streaming do Main Event a 31 de outubro e 1 de novembro.

Rasputin além do mito




«O meu fascínio por Rasputin vem de longe […] Como é que um camponês da Sibéria, mal alfabetizado, pode ter tido um efeito tão devastador no curso da História?» No seu novo livro, Rasputin e a Queda dos Romanov, que agora chega a Portugal, o historiador britânico Antony Beevor aproxima os leitores da escandalosa vida de Rasputin, para lá das lendas, mitos e boatos.

Tudo começou com um pesadelo premonitório. «Quando a Imperatriz Viúva estava grávida do seu primogénito, o futuro Czar Nicolau II, diz-se que ficou traumatizada com uma previsão […]. Aterrorizou-a a possibilidade de o seu filho ser morto por um camponês russo.» Trinta e oito anos depois, Maria Feodorovna veria o seu filho e a sua nora fascinados por um camponês místico chamado Grigory Rasputin, e ficou horrorizada, liderando uma oposição à sua influência.

Apesar dos esforços da Imperatriz Viúva, a crença naquele homem levou a que os Czares lhe atribuíssem cada vez mais poder, ainda que não oficial. Tudo alimentado por um oportunismo desenfreado. Mas e o resto da história, envolta em teorias da conspiração que ditaram o fim dos Romanov? Até que ponto é real? E os relatos de corrupção política e financeira? E a devassidão com a Imperatriz e com as suas filhas? E a vitimização de mulheres pobres e vulneráveis? Antony Beevor tenta esclarecer tudo isso através da análise de relatórios, entrevistas e interrogatórios até agora inéditos.

Uma história fascinante de perversidade humana, «antecipa os nossos próprios tempos desafiados pela verdade, quando o mito e as notícias falsas podem ser mais poderosos do que a realidade». Di-lo o escritor e jornalista do The Guardian, Luke Harding, e sublinha-o a jornalista, Prémio Pulitzer, Anne Applebaum, que considera este livro «um conto de declínio autocrático com muitas analogias contemporâneas, para leitores que estejam dispostos a vê-las».

Parte thriller político, parte mistério gótico, Rasputin e a Queda dos Romanov estará disponível na rede livreira nacional a partir do dia 15 de outubro com a chancela da Bertrand Editora e tradução de António Costa Santos. 

Sobre o Autor

O livro anterior de Antony Beevor foi Rússia – Revolução e Guerra Civil (1917-1921). No conjunto da sua obra incluem-se A Segunda Guerra Mundial, Estalinegrado, Dia D – A Batalha da Normandia, A Queda de Berlim – 1945, A Guerra Civil de Espanha, entre muitos outros títulos. Os seus trabalhos, que receberam inúmeros prémios, têm sido publicados em trinta e sete línguas e já venderam mais de nove milhões de exemplares. Membro da Royal Society of Literature e da Royal Historical Society, recebeu doutoramentos honoris causa e bolsas de estudo de cinco universidades. Foi distinguido com o título de Cavaleiro em 2017.