«Seja como for, lá vamos todos para a posteridade.» É a genialidade destas palavras de uma das oito narrativas que compõem as Novelas do Minho, de Camilo Castelo Branco, que motiva a confidência de Francisco José Viegas, editor da Quetzal, no Prefácio à edição que agora integra a nova série A Biblioteca de Alexandria: «Depois de um fragmento de bucolismo e literatura turística, Camilo não resiste a aniquilar o sentimentalismo. É o meu herói. Hoje, atiraria pedras aos literatos – e sem receio de ferir suscetibilidades.»
Considerado um dos melhores escritores nacionais do seu tempo, a astúcia na escrita de Camilo Castelo Branco, que homenageia a província em Novelas do Minho enquanto zomba delas, recolhe os mais largados elogios do prefaciador. «Camilo não é só o derradeiro romântico e o arquiteto de desenlaces comoventes para os espíritos da época; mais do que um ironista sublime, ele conhece bem os sinónimos de sarcasmo, que vão da leve ironia aos abismos da injúria.» E acrescenta: «Tudo ri, nestas Novelas. Camilo sabia porquê; o país, que ele amava nas suas sublimes imperfeições, dava-lhe vontade de rir.»
Publicadas entre 1875 e 1877, em doze volumes, as oito novelas – aqui reunidas na íntegra, o que é raro acontecer – mostram Camilo no seu melhor: são surpreendentes, cómicas, românticas, cheias de paixão e história, e levam-nos à beira da apoplexia e do riso, da comoção e da comédia. Prodígios da nossa língua e uma amostra do génio de Camilo. Nelas, Camilo mostra que a virtude fere como um pecado e que o género humano é como é: vingativo, apaixonado, cruel quando pode, generoso, hipocondríaco, sardónico, fiel no amor, desleal ou acometido de inveja. Camilo no seu melhor, como sempre. De volta às livrarias a 7 de maio.
Sobre o Autor
Camilo Castelo Branco nasceu em Lisboa, na Rua da Rosa, ao Bairro Alto, em 1825. Passou o resto da vida no Norte, entre Trás-os-Montes, o Porto e o Minho — onde se suicidou em 1890, na sua casa de São Miguel de Seide, Famalicão. O romance adúltero com Ana Plácido marcou toda a sua biografia e levou-o ao cárcere, onde escreveu a sua obra mais conhecida, Amor de Perdição. Livros como A Brasileira de Prazins, O Romance dum Homem Rico, O Retrato de Ricardina, Vinte Horas de Liteira, A Queda dum Anjo, A Filha do Regicida, ou Coração, Cabeça e Estômago pertencem a uma bibliografia extensa e em vários géneros. O mais copioso dos nossos romancistas pode ler-se de trás para diante e vice-versa, consoante o ritmo cardíaco do leitor — ele sabe que ninguém se salva totalmente e que todos somos feitos para o barro maleável da literatura.
