Cinquenta anos após o «retorno», persistem a controvérsia e as recriminações sobre a descolonização. O processo teria sido conduzido de forma «desastrosa», resultando em tragédia para os portugueses residentes nas antigas colónias, tal como para os africanos, arrastados para guerras civis prolongadas. Outra foi, porém, a avaliação do seu mais destacado interveniente, Melo Antunes, que a qualificou como a «descolonização desejável». Almeida Santos, por sua vez, considerou-a como a «possível, nas circunstâncias em que teve lugar».
Impunha-se uma avaliação objetiva. Para José Sá Carneiro, autor deste livro, qualquer juízo sobre um acontecimento histórico exige o conhecimento dos seus antecedentes.
Recorrendo a instrumentos da economia política ‒ a sua área de formação ‒ analisa a economia e a estrutura das sociedades coloniais, estuda casos comparáveis (a Argélia francesa e o Congo belga) e conclui: se os efeitos imediatos foram inevitavelmente traumáticos, a rápida e bem-sucedida reintegração dos «retornados» num país europeu, democrático e estável como Portugal, onde tinham as suas raízes mais profundas, impõe uma avaliação final positiva.
Sobre o Autor
José Sá Carneiro nasceu em Angola, onde viveu até aos 19 anos. Em janeiro de 1975, deixou Luanda, onde frequentava o curso de Economia, e prosseguiu os estudos em Portugal, concluindo a licenciatura na Faculdade de Economia do Porto (FEP).
Durante o percurso universitário manteve-se politicamente ativo, sempre na oposição. Antes do 25 de Abril, como dirigente estudantil em Luanda, opôs-se ao regime colonial e à ditadura. Após o 25 de Abril, já no Porto, esteve na origem e liderou um movimento de oposição democrática à extrema-esquerda, então dominante na FEP.
A sua atividade profissional desenvolveu-se, sobretudo, no setor privado, com destaque para o investimento imobiliário, nomeadamente no Grupo Amorim e no Banco Privado Português. Entre 2011 e 2014, exerceu as funções de secretário-geral da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).
Nos últimos anos, a sua atividade orientou-se para a investigação e para o ensino universitário. Concluiu o doutoramento em Economia pela FEP em 2020 e lecionou na Universidade Portucalense entre 2018 e 2022. Entre 2023 e 2025, dedicou-se à redação de A Descolonização e os Seus Antecedentes.
