Esta semana dentre as várias estreias de cinema nas salas nacionais o "Cultura e não Só" destaca as seguintes:
O Mago do Kremlin
Adaptação da obra homónima do ensaísta e conselheiro político Giuliano da Empoli (entrevistado por Teresa de Sousa em 2023 e 2025), que lhe valeu o Grande Prémio do Romance da Academia Francesa, este filme segue o percurso de Vadim Baranov — personagem inspirada em Vladislav Surkov (nascido em 1964) — no período que se seguiu à dissolução da URSS, que ocorreu a 26 de Dezembro de 1991, quando foi reconhecida a independência das antigas repúblicas soviéticas.
Com Paul Dano no papel de Baranov e Jude Law como Vladimir Putin, o filme mostra como um antigo produtor de televisão se torna conselheiro de Putin e responsável pela construção de uma máquina de propaganda ao serviço da recém-formada Federação Russa.
Realizado e escrito por Olivier Assayas (autor de “Paris Desperta”, “Destinos Sentimentais”, “Carlos”, “Depois de Maio”, “As Nuvens de Sils Maria”, “Personal Shopper”, “Vidas Duplas” ou “Wasp Network - Rede de Espiões”), este “thriller” político revela os bastidores do poder e os mecanismos de propaganda que são usados para formar novas ordens políticas. No elenco secundário surgem Alicia Vikander, Tom Sturridge, Jeffrey Wright, Zach Galifianakis, Andris Keišs, Anton Lytvynov, Will Keen, Matthew Baunsgard, Alexander M. Johnson, Anastasia Sutter e Magne‑Håvard Brekke.
O Testamento de Ann Lee
O filme inspira-se na história real de Ann Lee (1736-1784), fundadora do movimento religioso que viria a ser conhecido como Shakers (também denominado Sociedade Unida dos Crentes na Segunda Aparição de Cristo). Nascida em Manchester, Inglaterra, no seio de uma comunidade pobre e profundamente religiosa, cresceu num ambiente rígido e austero. Após integrar um grupo dissidente da comunidade Quakers, Ann Lee afirmou ter recebido revelações espirituais que a levaram a defender o celibato, a igualdade entre homens e mulheres, e a rejeição das hierarquias. Perseguida pelas autoridades da época, emigrou em 1774 para os EUA com um pequeno grupo de seguidores, fixando-se em Nova Iorque. Aí organizou comunidades assentes no pacifismo, na partilha de bens, no trabalho colectivo e numa disciplina religiosa rigorosa.
Um drama biográfico assinado pela actriz e realizadora norueguesa Mona Fastvold (“The Sleepwalker”, “The World to Come”), que também co-escreveu o argumento em parceria com Brady Corbet, realizador de “A Infância de Um Líder” (2015), “Vox Lux: O Preço da Fama” (2018) ou o oscarizado “O Brutalista” (2024), cujos argumentos são da autoria de ambos. Com Amanda Seyfried como protagonista, o filme conta ainda com Lewis Pullman, Thomasin McKenzie, Matthew Beard, Christopher Abbott, Viola Prettejohn, David Cale, Stacy Martin, Scott Handy, Jeremy Wheeler e Tim Blake Nelson.
Kill Bill: A Obra Sangrenta Completa
Em 1999, Beatrix (Uma Thurman) viu o ensaio do seu casamento transformar-se num massacre. Grávida, foi atacada por membros das DiVAS (Deadly Viper Assassination Squad), o grupo de elite de assassinos profissionais ao qual pertencia, a mando de Bill, o homem com quem se iria casar. Sobreviveu, mas permaneceu quatro anos em coma. Quando despertou, restou-lhe um único propósito: um ajuste de contas com todos os que a tinham traído. Um a um, os nomes da antiga equipa foram sendo eliminados da sua lista, até chegar a Bill (David Carradine), o último e mais importante dos alvos a abater.
Concebido por Quentin Tarantino, “Kill Bill: Toda a Obra Sangrenta” reúne os dois volumes estreados em separado — “Kill Bill: Volume 1” (2003) e “Kill Bill: Volume 2” (2004) —, integrando cenas anteriormente eliminadas e planos alternativos. Inclui ainda a versão remasterizada a cores do confronto com os Crazy 88 e uma sequência de animação com cerca de sete minutos. O resultado é um único filme de aproximadamente quatro horas e meia, tal como Tarantino o tinha imaginado originalmente. No elenco encontram-se ainda Lucy Liu, Vivica A. Fox, Daryl Hannah, Michael Madsen, Gordon Liu e Julie Dreyfus.



