segunda-feira, 27 de julho de 2026

Quetzal reedita Comboio-Fantasma para o Oriente



Em 1975, Paul Theroux embarcou numa viagem que deu origem a O Grande Bazar Ferroviário, já considerado um grande clássico da literatura de viagens. Trinta e três anos depois, em 2008, e contra tudo o que ditam as leis dos regressos, o norte-americano refez o mesmo caminho, com um olhar registado em Comboio-Fantasma para o Oriente. Um exemplo de «literatura de revisitação» há muito esgotado nas livrarias nacionais e que agora integra a coleção Terra Incognita, da Quetzal, com tradução de Freitas e Silva. Disponível a 6 de agosto.

«O novo mapa é uma folha de papel vegetal que assenta sobre o mapa anterior e se desvia aqui e ali – e também uma carga de ilusões sobre a passagem do tempo», escreve Francisco José Viegas no texto introdutório. É difícil não querer fazer esta viagem. Comboio-Fantasma para o Oriente regressa ao mapa inicial e refaz a viagem recuperando a arte da reportagem, numa altura em que o turismo massificado ainda não estava consolidado, mas que Paul Theroux já intuía. «A arte de viajar tinha deixado de ser uma prática reservada a solitários que se fazem acompanhar de uma mochila, uma pequena mala, um bloco-notas, o medo da malária e, pouco provavelmente, saudades de casa.» Uma viagem de comboio entre a Europa e o Japão. Um roteiro devorado pela curiosidade, pela paixão da viagem e do conhecimento.

Terra Incognita é o nome da coleção de literatura de viagens da Quetzal. Mais do que livros de viagens com um formato especial, Terra Incognita reúne títulos e autores que desprezam a ideia de turismo e fazem da viagem um modo de conhecimento. 

Sobre o Autor

Paul Theroux nasceu em Medford, no Massachusetts, em 1941, filho de mãe italiana e pai canadiano de origem francesa. Frequentou a universidade no Maine e no Massachusetts (Amherst), e vive atualmente entre Cape Cod e o Havai. Foi professor em Itália, no Malawi (onde esteve envolvido no golpe de Estado que tentou depor o então ditador Hasting Banda), no Uganda (onde conheceu a sua futura mulher e encontrou, pela primeira vez, V.S. Naipaul, que viria a ser seu grande amigo e mentor) e também em Singapura e em Inglaterra. A par das colaborações regulares que manteve ao longo dos anos com as revistas Playboy, Esquire e The Atlantic, escreveu dezenas de romances (alguns adaptados ao cinema por Peter Weir e Peter Bogdanovich – com atores como Harrison Ford, River Phoenix, Michael Caine, Helen Mirren, Sigourney Weaver ou Patrick Kavanagh), ensaios e alguns dos melhores livros de viagens de sempre, como O Grande Bazar Ferroviário, Viagem por África, O Velho Expresso da Patagónia, Na Planície das Serpentes, O Sul Profundo ou este Comboio-Fantasma para o Oriente, todos publicados pela Quetzal.