Como é que uma das maiores escritoras dos nossos dias conta a sua própria vida? A resposta está n’O Livro das Minhas Vidas, as muito aguardadas memórias de Margaret Atwood, uma das autoras mais elogiadas e influentes do mundo. Nestas mais de 600 páginas Atwood conta a sua história na primeira pessoa.
Margaret Atwood revela-nos, pois, as suas muitas «vidas», a começar pela infância, grande parte dela passada em família nas florestas remotas do norte do Quebeque – longe das convenções sociais –, e passando, como não podia deixar de ser, pelas origens das suas obras mais célebres. As memórias estabelecem ligações entre as experiências da vida real da autora e os seus romances mais conhecidos, muitos dos quais marcos da literatura contemporânea, como A História de Uma Serva ou Os Testamentos.
Com a mordacidade, ironia e lucidez que lhe são características, Atwood levanta o véu que cobre a experiência e a criação, a realidade e a palavra escrita. E abre também uma janela íntima para a relação com o seu companheiro Graeme Gibson, que morreu em 2019. O Livro das Minhas Vidas inclui passagens comoventes sobre a relação de quase toda uma vida com o pai da sua única filha e o luto que viveu após a sua morte, que aconteceu durante a digressão de promoção de Os Testamentos.
«Algumas pessoas ficaram surpreendidas por eu ter continuado a digressão de lançamento de Os Testamentos. Mas pergunte-se a si próprio, caro leitor: a agenda cheia ou a cadeira vazia? Escolhi a agenda cheia. A cadeira vazia estaria lá quando eu regressasse a casa», escreve a autora, num excerto que revela parte de um retrato íntimo e honesto, de grande profundidade e humanidade.
Através das experiências que partilha com o leitor, Margaret Atwood reflete sobre temáticas de poder, vigilância e controlo, e como os indivíduos, em especial as mulheres, aprendem a resistir dentro de sistemas e instituições que não são, de todo, neutros. São temáticas que marcam muitas das obras que escreveu e que a Bertrand Editora tem a honra de publicar em Portugal.
O Livro das Minhas Vidas chega às livrarias quando falta pouco mais de um mês para Margaret Atwood visitar Portugal, para participar no festival literário Babell. A publicação deste livro de memórias surge depois de, ao longo dos últimos meses, a Bertrand Editora ter reeditado várias das obras da autora, desde logo: A História de Uma Serva (romance e novela gráfica), Chamavam-lhe Grace, O Assassino Cego e Os Testamentos.
O Livro das Minhas Vidas, de Margaret Atwood, chega às livrarias com tradução de Pedro Elói Duarte.
Sobre a Autora
Margaret Atwood é uma das mais celebradas autoras do panorama literário mundial e, além do clássico A História de Uma Serva, publicou mais de cinquenta livros de ficção, poesia e ensaio. Recebeu diversos prémios literários ao longo da sua carreira, incluindo o Booker Prize (por O Assassino Cego, em 2000, e por Os Testamentos, sequela de A História de Uma Serva, em 2019), o PEN America Lifetime Achievement Award e o The British Book Award for Freedom to Publish. Uma das mais ativas vozes na defesa pelos direitos das mulheres, na ficção e na não-ficção, está traduzida em mais de quarenta idiomas. Vive em Toronto. Margaret Atwood recebeu, em 2022, o título de Doutora Honoris Causa, atribuído pela Universidade do Porto pela «extraordinária qualidade da sua obra literária, a importância da sua reflexão intelectual e a pertinência do seu combate público por uma sociedade mais justa, digna e sustentável».
