Caso Fantasma, o mais recente romance de Thomas Pynchon, chega às livrarias portuguesas numa excecional tradução de João Pedro Vala. A publicação deste livro-fenómeno, inédito no mercado português, chega semanas depois da reedição de V., o não menos incrível título de estreia do autor, finalista do National Book Award em 1964.
Publicado depois de um hiato de mais de uma década desde a última obra de Pynchon, Caso Fantasma pode ser o romance de despedida deste gigante da literatura, atualmente com 88 anos. Esta é uma obra que revela o mesmo génio e o mesmo vigor, e ousadia, que caracterizam toda a obra do autor, e não vai deixar ninguém indiferente.
Em Caso Fantasma, o leitor é transportado para 1932. A América está em plena Grande Depressão, a revogação da Lei Seca ao virar da esquina, Al Capone na prisão federal. Hicks McTaggart, um fura-greves que se tornou detetive privado, pensa ter encontrado a tão desejada estabilidade profissional até aceitar o que deveria ser um caso banal: localizar e trazer de volta a herdeira da fortuna do magnata dos queijos do Wisconsin, que decidiu partir à aventura. Porém, antes que dê por isso, será drogado e despachado para a Europa num transatlântico, acabando por chegar à Hungria – onde, a propósito, não há costa de mar.
Quando Hicks finalmente descobre a herdeira, ver-se-á também envolvido com nazis, agentes soviéticos, contraespiões britânicos, músicos de swing, praticantes do paranormal, gangues europeus de motociclistas e, enfim, os problemas que cada um deles acarreta. Encurralado por uma história que não compreende e da qual não consegue sair, a única esperança de Hicks é que estamos no apogeu das big bands e, por acaso, ele adora dançar. Se isso será suficiente para permitir que regresse aos Estados Unidos e ao mundo normal – que, como o nosso, talvez já não exista –, é outra questão…
Seguindo o estilo único que lhe é característico, Pynchon explora de forma excêntrica e implacável a ascensão do fascismo europeu e a disrupção histórica que se deu na década de 1930. Caso Fantasma examina a fragilidade do mundo atual e a ascensão do totalitarismo, e arriscamos até dizer que há evidentes paralelismos com a América e o mundo de hoje.
Sobre o Autor
Thomas Pynchon nasceu em Long Island, Nova Iorque, em 1937. Um dos mais importantes autores da história da literatura norte-americana, é autor de V., O Leilão do Lote 49, Arco-Íris da Gravidade, Slow Learner, uma coletânea de contos, Vineland, Mason & Dixon, Against the Day, Vício Intrínseco, Bleeding Edge e Caso Fantasma. Com V., o seu primeiro romance, foi finalista do National Book Award em 1964, prémio que viria a vencer com Arco-Íris da Gravidade em 1974.
