Esta semana dentre as várias estreias de cinema nas salas nacionais o "Cultura e não Só" destaca as seguintes:
O Pecado Mora em Cima
Pedro e Inês são um casal de portugueses que vive o amor e o sexo de forma descomplexada. No apartamento por baixo do deles, vivem os brasileiros Iara e Lusa, um casal mais velho que, bastante a contragosto, começa a ouvir sons que lhes despertam a curiosidade, mas também suscitam muitas inseguranças em relação à sua própria vida conjugal.
Quando, um dia, os quatro se juntam para um jantar, o que começa como um encontro descontraído rapidamente se transforma em algo bastante desconfortável. Observar de perto a química entre Pedro e Inês acaba por realçar as fragilidades do relacionamento de Iara e Lusa. Com o avançar da noite, a conversa envereda por temas cada vez mais íntimos, até culminar numa proposta inesperada: troca de casais e sexo em grupo.
Entre a comédia de costumes e de desconforto, “O Pecado Mora em Cima” é a adaptação luso-brasileira de “Sentimental”, em que o espanhol Cesc Gay levou ao grande ecrã a sua própria peça de teatro e que foi também adaptado por Olivia Wilde no bem-sucedido “O Convite” (2026).
Realizado por Rui Pedro Sousa (“Revolução (Sem) Sangue”) segundo um argumento de Edson Athayde, o filme reúne Pedro Carvalho, Inês Aires Pereira, Marisa Orth e Miguel Falabella.
The Money Maker - O Falsificador
Depois de se refugiar em França durante a Segunda Grande Guerra, Jan Bojarski, um jovem engenheiro polaco, usa as suas habilidades para fabricar documentos falsos para a Resistência francesa e salvar inúmeras pessoas. Terminada a guerra, a falta de registo civil força-o a uma vida remediada, sobrevivendo à custa de pequenos trabalhos. Até ser abordado por um conhecido que, sabendo do seu talento e da precisão dos documentos que falsificou, lhe propõe um novo negócio: fabricar notas falsas.
Bojarski aceita e inicia uma vida dupla, escondendo da mulher e dos filhos as suas actividades ilícitas. Enquanto aperfeiçoa cada vez mais as falsificações, é perseguido por André Mattei, um comissário da polícia cuja maior obsessão é encontrar o “Cézanne do dinheiro falso”. Durante anos, os dois ficam ligados por uma espécie de jogo do gato e do rato, em que o engenho de um é posto à prova pela persistência do outro.
Inspirado numa história verídica, este drama policial foi realizado por Jean-Paul Salomé (“Arsène Lupin - O Ladrão Sedutor”, “Agente Haxe”, “A Sindicalista”), com um argumento seu e de Bastien Daret. No elenco estão Reda Kateb, Sara Giraudeau, Bastien Bouillon e Pierre Lottin.
Histórias Paralelas
Em busca de inspiração para o seu novo romance, Sylvie passa os dias atenta aos vizinhos que vivem no prédio em frente ao seu, no centro de Paris. A partir do que vê através da janela, começa a imaginar as suas vidas, os seus segredos e as relações que mantêm entre si. Um dia, Sylvie contrata Adam para a ajudar nas tarefas do dia-a-dia. Não tarda até que este se aperceba de que ela observa os vizinhos e inventa histórias a partir do que vê. Intrigado com o que Sylvie escreveu, decide abordar Nita, uma das vizinhas, e mostrar-lhe o rascunho, fazendo-a crer que é ele o autor. A partir desse momento, a ficção começa a interferir na realidade: o que ela imaginou leva Adam a agir, acabando por alterar a vida dos vizinhos e, por consequência, a forma como a escritora os observa e continua a construção da história.
Um drama que cruza realidade e ficção, realizado pelo iraniano Asghar Farhadi (“Uma Separação”, “O Cliente”, “Um Herói”), com argumento escrito em colaboração com o irmão, Saeed Farhadi, e inspirado no filme “A Short Film About Love” (1988), de Krzysztof Kieślowski. Em competição no Festival de Cannes de 2026, conta com um elenco de peso, encabeçado por Isabelle Huppert, Virginie Efira, Vincent Cassel, Pierre Niney e Adam Bessa, e inclui ainda a participação de Catherine Deneuve.



