quarta-feira, 24 de junho de 2026

E não viveram felizes para sempre



«Os meus dedos, sob os dele, estavam nus. Tirara os anéis, incluindo a aliança de diamantes, no dia anterior. Uma amiga dissera-me que o vírus podia alojar-se debaixo dos anéis, e escapar à ação do álcool-gel e ao sabão, por isso decidira tirá-los e colocá-los num frasco mergulhados num produto para limpar joias. Será que foi por ter tirado a aliança? Terei provocado algum desequilíbrio no universo?, pensei, por uma fração de segundo.» Não. Não foi por uma medida profilática em plena pandemia de covid-19 que o casamento de Belle Burden ruiu.

No livro Estranhos – Memórias de Um Casamento, a advogada norte-americana – neta de Babe Paley, um dos cisnes de Capote – confessa de forma comovente, mas lúcida e elegante, como o seu marido a abandonou sem explicação, revelando que tudo o que parecia seguro ao longo de vinte anos era, afinal, frágil. «Foi uma grande história de amor, daquelas para a vida toda. A rapidez com que tudo começou e a rapidez com que tudo acabou eram imagens inversas uma da outra. Ambas surgiram do nada. Ele quis tudo, quis-me a mim. E depois deixou de querer.»

A vida toda é muito tempo e a autora deste grande fenómeno apercebe-se, da pior forma, que o seu companheiro constante e (aparentemente) fiel tornou-se um estranho. Até para os três filhos do casal, Finn, Evie e Carrie. «Não incluiu um quarto para as crianças [no seu novo apartamento em Park Row]. Contactava com elas por mensagem, sempre de forma gentil, e levava-as a jantar fora uma vez por outra, mas continuava a recusar ser uma presença diária nas suas vidas.»

Em retrospetiva, a autora começa a descobrir padrões, silêncios e concessões que nunca questionara. E, nesse processo, encontra algo mais raro do que respostas: a própria voz. «Tínhamos criado uma teia complicada ao longo de vinte anos, em que todos os fios conduziam a ele. Tive de cortar cada fio e recomeçar do zero.»

Não-ficção que se lê como um romance, Estranhos traça, com lucidez e elegância, o choque, a luta, o trauma, mas também o poder de uma mulher que se recusa a desistir do amor. É, talvez por isso, considerado por Graydon Carter, autor bestseller do New York Times, «um clássico instantâneo maravilhosamente bem escrito. É um livro cativante e de partir o coração, uma leitura obrigatória para todas as mulheres casadas – e para todos os maridos.»

Um relato de vida profundamente comovente e de leitura compulsiva, Estranhos – Memórias de Um Casamento estará disponível na rede livreira nacional no próximo dia 2 de julho, numa edição Bertrand Editora, com tradução de Susana Sousa e Silva, mas pode ser adquirido, desde já, na pré-venda que decorre exclusivamente online.

Sobre a Autora

Belle Burden é licenciada em Direito pela Universidade de Nova Iorque e dedica-se a casos pro bono de imigração, sobretudo envolvendo menores. Colabora com o The New York Times e vive em Nova Iorque com os filhos. Estranhos  – Memórias de Um Casamento marca a sua estreia literária, revelando uma voz elegante, corajosa e profundamente honesta.