quinta-feira, 18 de junho de 2026

«Quando os Lobos Uivam»: uma nova edição do livro que o poder tentou calar



Quando os Lobos Uivam, uma das obras mais marcantes de Aquilino Ribeiro, volta a estar disponível no mercado livreiro, numa reedição que é apoiada pela Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva. As ilustrações da capa e dos 13 capítulos que compõem a obra são da autoria de alunos da Escola Secundária local.

Com prefácio de José Pacheco Pereira e introdução de Henrique Monteiro, esta nova edição de um livro publicado originalmente em 1958 chega às livrarias a 25 de junho. Cinco dias antes, a 20 de junho, há uma sessão de apresentação de Quando os Lobos Uivam em Vila Nova de Paiva. O evento decorre no Parque Botânico Arbutus do Demo, pelas 15h00.

José Pacheco Pereira, político, investigador, escritor e professor; Henrique Monteiro, jornalista e escritor; Paulo Marques, presidente da Câmara de Vila Nova de Paiva, e Eduardo Boavida, diretor editorial da Bertrand Editora, são algumas das personalidades que vão marcar presença na apresentação.

Neste romance, um clássico de Aquilino Ribeiro, recuamos a finais dos anos 40. Uma aldeia enfrenta o Estado Novo para defender as suas terras. Entre medo e coragem, nasce uma revolta que mudará tudo. Quando os Lobos Uivam é uma obra poderosa sobre resistência, justiça social, identidade e abuso de poder, que representa a saga dos beirões na defesa dos terrenos baldios perante a ditadura do Estado Novo.

A primeira edição deste título foi apreendida pela censura, valendo a Aquilino Ribeiro um processo que se arrastou durante mais de dois anos e que José Pacheco Pereira recorda no prefácio: «O despacho da censura sobre Quando os Lobos Uivam mostra alguma perplexidade pela publicação de um livro que, se houvesse censura prévia, como nos jornais, nunca veria a luz do dia. Reconhece que a “prosa viril” do autor dava particular eficácia ao “odioso ataque à actual situação política”. Hesita, no entanto, na sua proibição, porque certamente muita gente já teria lido o livro e a sua censura poderia dar-lhe uma publicidade indesejada. Fica-se pela proibição da sua reedição e pela interdição da sua divulgação, e esta atitude hesitante é muito semelhante a algumas das personagens do romance. Alinham com a gente mole que não quer complicações, deixando o combate para os duros de um lado e outro. Fazem de conta que não ouvem os lobos a uivar.»

Por sua vez, Henrique Monteiro, na introdução, destaca Quando os Lobos Uivam como «uma obra que continua sempre a valer a pena, porque trata de algo tão atual como é a luta constante entre os defensores de um progresso, adotado sem critérios, e aqueles que vão sendo deixados para trás, os mais simples, os mais desprotegidos, os mais desfavorecidos».

Uma nova edição de Quando os Lobos Uivam, de Aquilino Ribeiro, chega às livrarias a 25 de junho. 

Sobre o Autor

Aquilino Ribeiro nasceu na Beira Alta, concelho de Sernancelhe, no ano de 1885, e morreu em Lisboa em 1963.
Deixou uma vasta obra, na qual cultivou todos os géneros literários, partilhando com Fernando Pessoa, no dizer de Óscar Lopes, o primado das Letras portuguesas do século XX. Foi sócio de número da Academia das Ciências e, após o 25 de Abril, reintegrado, a título póstumo, na Biblioteca Nacional, condecorado com a Ordem da Liberdade e homenageado, aquando do seu centenário, pelo Ministério da Cultura.
Em setembro de 2007, por votação unânime da Assembleia da República, o seu corpo foi depositado no
Panteão Nacional.