sexta-feira, 31 de julho de 2026

Encontrar propósito em tempos de desespero



«Cada época tem a sua neurose – e cada época necessita da sua própria psicoterapia. […] O doente típico dos dias de hoje já não sofre tanto, como no tempo de Alfred Adler, de um sentimento de inferioridade, mas sim de um sentimento profundo de falta de sentido, que se associa a um sentimento de vazio.» Sobrevivente do holocausto – que roubou a vida a toda a família à exceção de uma irmã–, o neuropsiquiatra Viktor Emil Frankl apresentou ao mundo, em 1977, no livro A Falta de Sentido na Vida, algumas das bases da disciplina de análise existencial e humanista que viria a ser conhecida como Logoterapia.

Marcado pela busca de sentido, que o fez suportar os horrores do Terceiro Reich, Frankl já tinha ensaiado algumas das considerações deste livro em 1946, em O Homem em Busca de Um Sentido, livro que relata a experiência de sobrevivência e superação do holocausto. Mas é neste segundo livro que apresenta um olhar clínico sobre o tema do qual fez bandeira de vida e que o tornou um dos psicanalistas de maior renome do Séc. XX.

Meio século depois, A Falta de Sentido na Vida, que introduz conceitos como a «reumanização da psicoterapia», está tão, ou mais atual do que na década de 1970, afinal estamos, mais do que nunca, mergulhados no que o autor intitulou de «vácuo existencial». A depressão é uma das epidemias mais devastadoras e, apesar da variedade de medicações e terapias ao nosso alcance, poucas parecem oferecer resultados totalmente eficazes.

Razões de sobra para que a Pergaminho recupere este clássico da história das ideias, numa novíssima edição com tradução de Álvaro Gonçalves. A Falta de Sentido na Vida chega à rede livreira nacional no dia 6 de agosto.
 
Sobre o Autor

Viktor Emil Frankl foi o fundador da Logoterapia, uma forma de análise existencial que é muitas vezes considerada a «terceira escola de psicanálise vienense». É um dos autores e clínicos mais proeminentes da história da Psicologia e autor de algumas das reflexões mais originais sobre a condição humana. Nascido em 1905 em Viena, formou-se em Medicina na Universidade de Viena, especializando-se depois em Neurologia e Psiquiatria, com um enfoque especial nas áreas do suicídio e da depressão.  Em 1942, Frankl e a família foram deportados para o campo de concentração de Theresienstadt, e em 1944 para Auschwitz. O único membro da sua família a sobreviver ao Holocausto foi uma irmã, Stella, com quem só se reencontrou anos mais tarde. Após a guerra, regressou a Viena, onde desenvolveu o seu método terapêutico e o conceito de «vontade de sentido» aplicado à terapia psicanalítica, e escreveu o seu livro mais conhecido, O Homem em Busca de Um Sentido. Nesta obra, relata a sua experiência durante o Holocausto e reflete acerca do impulso primordial do ser humano de criar sentido, mesmo na mais extrema adversidade, desespero e desumanização. O livro conheceu um sucesso mundial inaudito com mais de 12 milhões de exemplares vendidos.  Dirigiu a policlínica neurológica de Viena de 1946 até 1971 e, para além da sua prática clínica, foi docente na Universidade de Viena e docente convidado em várias universidades europeias e norte-americanas. Escreveu mais de 30 livros e a sua obra é publicada em mais de uma dezena de idiomas e estudada em escolas e universidades por todo o mundo. Viktor Frankl faleceu em 1997.